IV CIELLA - Congresso Internacional de Estudos Linguísticos e Literários na Amazônia
logo

RESUMO - SESSõES DE COMUNICAçõES COORDENADAS

Autor do Trabalho
B  C  D  E  F  G  H  I  J  K  L  M  N  O  P  Q  R  S  T  U  V  W  X  Y  Z

SOBRE UM PARÁGRAFO DE CULTURA E IMPERIALISMO: NOVAS HIPÓTESES

Alcione Corrêa Alves - UFPI - Autor Principal
alcione@ufpi.edu.br

Em evento anterior, o estudo em curso sobre os textos de Edward Said propôs o comentário a um parágrafo de Cultura e imperialismo no qual, analisando a peça Une tempête, de Aimé Césaire, o referido autor visa a se distanciar do que compreende como o conceito de ressentimento. Com vistas a avançar sobre a apropriação deste autor, propõe-se doravante uma análise comparativa entre uma das premissas presentes na introdução de Cultura e imperialismo e outra, presente no primeiro capítulo deIntroduction à une poétique du Divers, de Édouard Glissant. Para estabelecer a comparação, parte-se da hipótese de que ambos os textos, propondo um esquema argumentativo que inicialmente distingue o Ocidente de seu Outro, assinalam o problema teórico da enunciação dos sujeitos sobre si ou, em outros termos, da prerrogativa da compreensão de si (o que Glissant definira, na obra Le discours antillais, como Opacidade). Prevê-se como resultados parciais que, a partir de algumas das premissas de Said e de Glissnat nesta obra, é possível depreender um modelo de análise de obras literárias americanas, evidenciando-lhes o problema de um lugar americano.

Palavras-Chave: Literaturas afrocaribenhas; Lugar; Opacidade.


MALINCHE:FEMINISMO E CONTEXTO PÓS-COLONIAL

Alessandra Maria Magalhães - UFPI - Autor Principal
lelehermosa@ig.com.br

Orientadora: Profa. Dra. Érica Rodrigues Fontes - UFPI

Malinche é o último romance da escritora mexicana Laura Esquivel publicado em 2006 onde a autora se propõe a recontar a história da conquista do México dando destaque à figura da índia Malinalli que neste país é conhecida como traidora, como responsável pela queda do Império Asteca e por todas as consequências da subordinação sofrida pelo povo mexicano em decorrência da colonização espanhola. O texto de Esquivel dá voz à mulher/índia que toma consciência da mudança e da importância de sua condição (de escrava a intérprete do colonizador) além de criticar a postura do colonizador espanhol Hernán Cortéz. A autora constrói uma nova perspectiva do contexto da conquista do México dando destaque às diferenças entre Malinalli e Cortéz para mostrar a mulher em relação de superioridade ao homem. O presente trabalho tem como objetivo mostrar no romance Malinche característica do feminismo como a valorização da figura feminina/indígena e sua relação com o contexto pós-colonial. Esquivel reconstrói a história de Cortéz/Malinalli apresentando temas (a morte, o medo, a orfandade, os mitos e crenças) que no romance são utilizados para construção da ideia de superioridade da índia e inferioridade do europeu. A metodologia utilizada é a pesquisa bibliográfica e para tanto faremos uso das considerações de Gayatri Spivak, Thomas Bonnici, Homi Bhabha, entre outros teóricos. Destacamos ainda que a autora tenta modificar a imagem inferiorizada que atualmente é atribuída à figura de Malinalli apresentando uma personagem consciente de seu papel e que agia pensando em proporcionar o melhor para seu povo distanciando a personagem da imagem de uma mulher frágil e ingênua que foi seduzida pelo colonizador e acabou traindo seu próprio povo.

Palavras-Chave: Feminismo; Pós-colonial; Malinche.


O RISO E TUDO O MAIS... INTERFACES LITERÁRIAS ENTRE SIMÃO PESSOA E EFRAIM MEDINA REYES

Aline Cavalcante Ferreira - UFRR - Autor Principal
aline@ifrr.edu.br

Orientadora: Prof. Dra. Maria Helena Valentim Duca Oyama - UFRR

Este trabalho tem por objetivo analisar o riso e os elementos propiciadores do risível nas obras Alô, Doçura! – Os protocolos secretos da AMOAL (2008), do escritor amazonense Simão Pessoa, e Era uma vez o amor mas tive que matá-lo (2006b) e Técnicas de masturbación entre Batman y Robin (2010), do escritor colombiano Efraim Medina Reyes, à luz dos pressupostos teóricos, principalmente, de Henri Bergson, Vladímir Propp e Mikhail Bakhtin. Para tanto, foi necessário discutir as relações literárias entre a Amazônia e a América Latina e de inserir os escritores na narrativa contemporânea. Também foi necessário estudar os movimentos contraculturais, Geração Beat e Geração McOndo, assim como a estética do realismo sujo, com o objetivo de verificar suas influências na produção literária dos referidos escritores. A partir da metodologia utilizada, imbricada na Literatura Comparada, busquei um diálogo entre o corpus ficcional e os pressupostos teóricos e percebi que o humor do riso medieval, ou seja, o riso carnavalizado e grotesco, está presente ainda hoje na contemporaneidade. Ao final da análise pude constatar que Simão Pessoa e Medina Reyes estão filiados à tradição literária carnavalesca e à estética do riso.

Palavras-Chave: Simão Pessoa; Efraim Medina Reyes; Riso.


LINHA DO PARQUE: O ROMANCE PROLETÁRIO DE DALCÍDIO JURANDIR

Alinnie Oliveira Andrade Santos - UFPA - Autor Principal
alinnieoliveira@yahoo.com.br

Marlí Tereza Furado - UFPA
marlitf@ufpa.br

Orientadora: Profa. Dr. Marlí Tereza Furtado - UFPA

Em 1934, foi usada pela primeira vez a expressão Realismo Socialista para designar o estilo artístico oficial da União Soviética – cunhado por dirigentes e artistas da URSS. Essa estética se estendeu também a outros países por meio de seus partidos comunistas. No Brasil, muitos romances proletários foram escritos sob o enfoque de tal estilo encomendados pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB). Dentre os escritores que aceitaram essa incumbência, figura o autor paraense Dalcídio Jurandir (1909-1979), membro do PCB desde sua juventude. Esse escritor, conhecido pela publicação dos romances que compõem o chamado Ciclo do Extremo Norte, escreveu também o romance de temática proletária Linha do Parque (1959). Essa obra narra a história de duas gerações do movimento operário na cidade de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, no decorrer da primeira metade do século XX. Este trabalho, portanto objetiva analisar a referida narrativa a fim de identificar as características do Realismo Socialista, bem como do romance histórico presentes no texto dalcidiano, além de refletir sobre as manifestações ideológicas presentes nessa obra. Investigar esse romance se faz necessário para melhor compreender o direcionamento da literatura brasileira naquele período.

Palavras-Chave: Romance Histórico; Linha do Parque; Realismo Socialista.


ENTRE A HONRA E A CIVILIDADE EM O CORONEL SANGRADO

Ana Caroline da Silva Rodrigues - UFPA - Autor Principal
caroline_salmo150@hotmail.com

Orientadora: Profa. Dra. Marlí Tereza Furtado - UFPA

No século XIX as ideias positivistas, em que o racionalismo e o cientificismo prevaleciam, traziam uma nova forma de pensar e encarar os problemas em sociedade. Essa nova ordem se chocou com a tradição e os costumes de lugares que estão distantes tanto geograficamente quanto socialmente dos centros urbanos. Na Amazônia do século XIX, por exemplo, a religiosidade, os mitos, a manutenção da honra entre outros fatores prevalecem sobre as novas descobertas existentes até então. Na literatura esse aspecto aparece, quase sempre, em conflito, pois as leis vindas da nova ordem social se mostram insuficiente para satisfazer a manutenção dos costumes e acabam gerando um desequilíbrio nas relações entre os indivíduos. Na obra O Coronel Sangrado, isto pode ser visto no embate que existe entre a busca da Honra e o perdão, na história dos personagens Miguel Fernandes e Tenente Ribeiro que no passado foram inimigos e agora se reencontram com o retorno de Miguel, após este ter passado um tempo longe da cidade de Óbidos. Diante disso, este trabalho busca analisar as diferenças entre os pensamentos ditados pelo Positivismo e os pensamentos do homem da Amazônia e da ordem social o qual está inserido concentrando-se na temática da Honra e nos conceitos de civilização. A análise também considerará importante o deslocamento sofrido pelo personagem Miguel, evidenciando as consequências desse distanciamento da terra natal e as mudanças ocorridas nas suas formas de pensar e agir. Para a análise serão utilizadas teorias sobre o Naturalismo (Coutinho e Bosi), Regionalismo (Ligia M. Leite, Eurídice Figueiredo), Exílio (Edward W. Said) e Culturas Híbridas (Néstor G. Canclini).

Palavras-Chave: Regionalismo; Civilização; Deslocamento.


A VIDA EXPOSTA À MORTE EM “O RIO DOS BONS SINAIS”, DE NELSON SAÚTE

Ana Cristina Marinho Lúcio - UFPB - Autor Principal
anamanho@uol.com.br

Rio dos Bons Sinais, coletânea de contos de Nelson Saúte, publicada pela Editora Língua Geral, possui uma particularidade que merece nota: em todos os contos, com exceção de um (que merece, por essa razão, um olhar mais atento) prevalece uma discussão sobre os limites entre a vida e a morte. Apresento nessa comunicação uma leitura dos contos do autor moçambicano, tomando como eixo principal a presença de sinais nos quais a vida está exposta à morte, em contraposição aos momentos de falsa esperança vivenciados pelo povo moçambicano, especialmente no período posterior à independência do país. A leitura dos contos será feita em diálogo com as ideias do filósofo italiano Giorgio Agamben (2002), presentes no livro Homo Sacer: o poder soberano e a vida nua. Para esse autor, nas sociedades que vivem em constante estado de exceção as pessoas são reduzidas à mera existência biológica (retomando uma ideia também presente nos ensaios de Benjamin sobre experiência e memória, temas recorrentes na escrita de Nelson Saúte).

Palavras-Chave: Nelson Saúte; Literatura moçambicana; Vida nua.


ASPECTOS DA VIDA FEMININA NA POESIA DE HILDA HILST

André Pinheiro - UFRN - Autor Principal
andre.pinheiro@yahoo.com.br

A figura emblemática de Hilda Hilst parece ter se tornado uma espécie de personagem da literatura brasileira. Por ter sido uma pessoa de caráter vanguardista, a poetisa muito contribuiu para a exposição de uma imagem mais contemporânea da mulher – aquela que consegue agregar o sumo da inteligência com um manifesto desejo de libertinagem. Não é de se estranhar, portanto, o fato de as cenas femininas serem um dos motivos mais recorrentes de sua obra. O tema é tratado de forma dúbia, já que as imagens da mulher apontam para aspectos da tradição ao mesmo tempo em que comportam um ar de vanguarda. Com efeito, uma leitura rápida facilmente induz o leitor a ver as imagens femininas como um retrato da opressão sofrida pela mulher ao longo dos séculos. Um olhar mais atento, contudo, revela que a suposta submissão é na verdade o resultado de uma atitude libertina. Na maioria dos casos, a ligação com o homem não representa um aprisionamento, mas sim o poder adquirido pela mulher de manifestar publicamente seus desejos mais ardentes. Estruturada dessa forma, a poesia de Hilda Hilst acaba se tornando o reflexo da sociedade brasileira do século XX. Ela é capaz de revelar a condição humana de uma mulher que, embora tenha se beneficiado por alguns avanços, guarda ainda as marcas de um processo histórico doloroso. Portanto, o principal objetivo deste trabalho é analisar aspectos da condição feminina na poesia de Hilda Hilst e relacioná-los à esfera social. Para tanto, serão analisados os conjuntos que integram o volume Júbilo, memória, noviciado da paixão.

Palavras-Chave: Poesia brasileira; Hilda Hilst; Mulher.


LITERATURA, CIêNCIA E TESTEMUNHO: NOTAS SOBRE A HIBRIDEZ DISCURSIVA D’OS SERTõES, DE EUCLIDES DA CUNHA, E DA OBRA EM PROSA DE RUY DUARTE DE CARVALHO

Anita Martins Rodrigues de Moraes - UFF - Autor Principal
nimoraes@yahoo.com

Nesta comunicação pretendo traçar paralelos entre Os sertões (1902), de Euclides da Cunha, e aspectos da produção em prosa do escritor e antropólogo angolano Ruy Duarte de Carvalho. Pretendo lidar com passagens selecionadas de Como se o mundo não tivesse leste (1977), da trilogia Os filhos de Próspero (2000-2009) e de Vou lá visitar pastores (1999). Meu interesse será investigar o teor testemunhal da produção de ambos os autores, distantes no tempo por cerca de um século. Tomarei, assim, como elemento de comparação, o fato de ambos denunciarem crimes de máxima brutalidade: o extermínio de populações “resistentes” ao chamado “progresso da civilização”. No caso angolano, dos povos nômades do sul de Angola, em particular os kuvale; no caso brasileiro, da população de Canudos. Euclides da Cunha e Ruy Duarte de Carvalho testemunharam eventos de extrema violência, e, para denunciá-los, desenvolveram um discurso híbrido, entrecruzando o literário e científico. Será, contudo, o modo como diferem na elaboraçao desta hibridez entre ciência e literatura que me interessará particularmente investigar.

Palavras-Chave:


UMA RELAÇÃO ENTRE LITERATURA, MEMÓRIA E RESSENTIMENTO, A PARTIR DA LEITURA DE “CASA DE PENSÃO”, DE ALUÍSIO AZEVEDO

Antonio Marcos dos Santos - IFC - Autor Principal
amsfmarcos@hotmail.com

Com ênfase em elementos socioculturais vigentes no século XIX que contribuíam consideravelmente para moldar o comportamento do indivíduo, pretendemos, neste trabalho, analisar alguns aspectos comportamentais de Amâncio de Vasconcelos, personagem central da obra “Casa de pensão”, de Aluísio Azevedo, concernentes à sua vivência sobretudo no âmbito das instituições Família e Escola. Tal análise, subsidiada principalmente por teorias que versam sobre cultura e memória, além daquelas que discutem especificamente o contexto histórico-cultural brasileiro predominante na época, em especial a sociedade excessivamente patriarcal, volta-se para o ressentimento e a hipocrisia que se tornam determinantes na conduta do personagem (desde a infância até os 21 anos de idade, quando é assassinado), em função, supomos, do ambiente sociofamiliar destrutivo, simbolizado pelas austeras figuras do pai e do professor, que se manifestam na qualidade de superego, por serem os representantes morais da cultura. Partindo também do pressuposto de Culler de que a teoria é reflexiva e do conceito aristotélico de mimesis, conferimos ênfase ao fato de, a partir de um caso particular e verídico (a questão Capistrano), a obra literária atingir uma dimensão universal, representando assim situações diversas vivenciadas por seres humanos em termos de sentimentos, pensamentos e ações.

Palavras-Chave: Cultura; Amâncio; Ressentimento.


MEMÓRIAS DE “SOLDADOS DA BORRACHA” NOS SERINGAIS DA AMAZÔNIA:VIAGEM AO PARAÍSO PERDIDO OU AO INFERNO VERDE?

Auxiliadora dos Santos Pinto - UFRO - Autor Principal
auxipinto@hotmail.com

Este trabalho objetiva reconstituir e registrar a história e as memórias de Soldados da Borracha que trabalharam nos seringais do município de Guajará-Mirim/RO, no período da II Guerra Mundial. Pretende-se investigar, a partir de produções literárias e de narrativas orais, fantásticas e verídicas, vivenciadas e contadas por esses indivíduos, as marcas identitárias expressas pelo grupo, evidenciando os significados da linguagem e as singularidades desses sujeitos amazônidas. A pesquisa qualitativa de cunho etnográfico está fundamentada nos estudos de Delgado (2006), que aborda as relações entre História, Memória e Identidades, explicando que: “História, tempo e memória são processos interligados [...]”; Cunha (2000) que registra, de forma singular, a estrutura dos seringais, destacando as práticas e as vivências dos soldados da Borracha nos seringais da Amazônia; Loureiro (2001), que apresenta uma caracterização da cultura e das múltiplas representações dos sujeitos amazônicos; Fraxe (2004), que apresenta as características da cultura cabocla-ribeirinha, destacando elementos importantes para a construção das representações linguísticas e culturais dos sujeitos amazônicos e outros. Os dados foram coletados a partir dos estudos teóricos, de observações, entrevistas e gravações de narrativas orais. Pretende-se também, a partir da análise das histórias de vida, discutir sobre a interrelação entre a literatura regional e a história dos Soldados da Borracha, apresentando-se uma retrospectiva histórica das migrações nordestinas na Amazônia e aspectos socioculturais do referido grupo. Os resultados preliminares mostram que a linguagem do Soldado da Borracha reflete suas vivências e retrata suas experiências; seu discurso manifesta e perpetuam seus costumes, suas crenças, seus valores, através de narrativas orais cujos temas evidenciam as superstições, a religiosidade, os mitos, mas também retratam elementos do cotidiano.

Palavras-Chave: Literatura; História; Memória e Identidade.


IV CIELLA

Universidade Federal do Pará - UFPA
E-mail: ivciella@gmail.com
Homepage: www.ufpa.br/mletras
Fone/Fax: (91) 3201.7499
(91)32017501