IV CIELLA - Congresso Internacional de Estudos Linguísticos e Literários na Amazônia
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RESUMO - SIMPóSIOS TEMáTICOS - ESTUDOS LINGUíSTICOS

Autor do Trabalho
B  C  D  E  F  G  H  I  J  K  L  M  N  O  P  Q  R  S  T  U  V  W  X  Y  Z

SEQUÊNCIA DIDÁTICA: FERRAMENTA POTENCIAL PARA APRIMORAMENTO DA PRÁTICA PEDAGÓGICA E DO LETRAMENTO

Adair Vieira Gonçalves - UFGD - Autor Principal
adairgoncalves@uol.com.br

Mariolinda Rosa Romera Ferraz - SEMED

Apesar de o IDEB/2012 acusar que as escolas públicas municipais e estaduais– alcançaram as metas propostas em todos os níveis da educação básica, ainda são perceptíveis falhas no processo de letramento dos alunos nas escolas brasileiras. Tendo como hipótese a manutenção de uma prática pedagógica conservadora, em que se privilegiam as normas da língua em vez de os usos e as práticas de linguagem, foi desenvolvido um projeto de pesquisa pelo Programa de Pós-graduação strictu sensu Mestrado em Letras – da Universidade Federal da Grande Dourados, cujo objetivo era fomentar a formação continuada de professores para a efetivação e avaliação do fazer pedagógico à luz do Interacionismo Sociodiscursivo (Bronckart, 2007) e seus desmembramentos – a saber, gêneros textuais (Bakhtin, 2003), sequência didática (Dolz, Noverraz, Schneuwly, 2004), modelo didático e lista de controle (Bronckart, 2007; Dolz, Schneuwly, Haller, 2004). Resultou da pesquisa, a dissertação intitulada Formação continuada de professores e a transposição didática externa dos gêneros artigo de opinião e notícia”. Durante a formação e assessoria aos professores colaboradores da pesquisa, duas sequências didáticas (uma para o ensino do gênero artigo de opinião e outra para o gênero notícia) foram planificadas e, posteriormente, aplicadas em duas turmas da educação básica: terceiro ano do ensino médio e nono ano do ensino fundamental, respectivamente. Diante do exposto, essa comunicação pretende relatar o processo de formação e os resultados alcançados, os quais apontam para uma melhoria no desenvolvimento das capacidades de linguagem dos educandos, por conseguinte, em seu letramento, devido também ao aprimoramento da prática pedagógica.

Palavras-Chave: Gêneros textuais; Sequência didática; Letramento.


A LINGUAGEM CIENTÍFICA E O RECORTE DA REALIDADE

Adan John Gomes da Silva - UFRN - Autor Principal
adanjohnrn@yahoo.com.br

O presente trabalho pretende explorar as contribuições que o filósofo da ciência Thomas Kuhn deu no que diz respeito ao nosso entendimento da relação entre a linguagem e a realidade. Nesse sentido, mostra como as investigações desse filósofo acerca da história da ciência corroboram a ideia há muito conhecida pelos linguistas de que a linguagem desempenha papel fundamental na formação da visão de mundo dos falantes. Com efeito, ele nos ensina que todo estudante que almeja ingressar na carreira científica deve antes de tudo adquirir o léxico usado pela comunidade, pré-requisito essencial para que possa tanto entender a teoria científica com a qual irá trabalhar quanto se fazer entender pelos seus companheiros de profissão. Ao lado disso, Kuhn descreve uma série de episódios retirados da história da ciência que mostram que, ao adquirir esse léxico, o estudante passa a observar o mundo de tal forma que não consegue pensar sobre ele para além das categorias taxonômicas oferecidas por esse léxico. Nesse sentido, este filósofo nos leva a crer que nosso conhecimento da linguagem traz consigo um conhecimento acerca do próprio mundo, de tal forma que linguagens diferentes descreveriam mundos diferentes, e que qualquer análise que não leve em conta o caráter constitutivo da linguagem correrá sério risco de fazer uma imagem equivocada e parcial da natureza da ciência.

Palavras-Chave: Filosofia da ciência; Linguagem; Realidade.


UMA ABORDAGEM COGNITIVA DA ESCRITA ACADÊMICA

Adriana da Silva - UFV - Autor Principal
adriasilva124@hotmail.com

Os estudos sobre o texto, realizados por linguistas, psicólogos e educadores, indicaram novos caminhos para o entendimento do processo da escrita, mas ainda se reconhece que, por exemplo, os alunos de graduação não escrevem como deveriam. Surge a necessidade de investigar como os alunos percebem e descrevem o seu processo de escrita, como se veem na atividade, o que sentem sobre o processo, o que os motivam a escrever e quais são suas emoções sobre essa atividade. Para isso, retomam-se os estudos cognitivos sobre a escrita, revisando os estudos das etapas que a envolvem e verificando como esses fatores podem ajudar na escrita acadêmica. Teoricamente tem se demonstrado que as emoções podem influenciar processos cognitivos, motivações e ações, indicando como as pessoas agem e processam as informações. Dessa forma, estudar essas relações, pode, por exemplo, não só ajudar a compreender o processo de escrita, importância teórica, como também pode oferecer formas de melhorar a atividade da escrita em sala de aula. Para essa investigação, fez-se uma pesquisa com 30 alunos de graduação de uma Universidade Federal do interior de Minas Gerais, matriculados em uma disciplina de leitura e produção de gêneros acadêmicos. Em sala de aula, responderam a um questionário com 10 perguntas e, a partir de instruções dadas em sala de aula e de perguntas orientadoras, em suas casas, elaboraram narrativas de suas histórias de escrita. As informações foram quantificadas e categorizadas para a identificação da percepção da escrita. Constatou-se que a maioria percebe a escrita como uma atividade necessária, mas cansativa e desmotivadora a partir do ensino médio. Os discursos sobre a escrita propagados na escola e valorizados nem sempre são seguidos em suas práticas. Conclui-se que conhecer as perspectivas dos alunos faz-se necessária para a criação de novas abordagens da escrita em sala de aula.

Palavras-Chave: Escrita; Cognição; Motivação.


O ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA EM COMUNIDADES GUARANI/KAIOWÁ DE MATO GROSSO DO SUL

Adriana Oliveira de Sales - UFGD - Autor Principal
adrianasales.edc@gmail.com

Nesta comunicação apresentam-se as situações em que se encontra o ensino da Língua Portuguesa nas séries finais do Ensino Fundamental em escolas de comunidades Guarani/Kaiowá que estão localizadas no Sul de Mato Grosso do Sul. Abordaremos ainda, a formação de professores indígenas, um levantamento socioeconômico e linguístico mais especificamente sobre o domínio da língua portuguesa e da língua materna, bem como atividades desenvolvidas no módulo Língua Portuguesa do Curso de Licenciatura Intercultural - Teko Arandu que visaram refletir sobre o ensino de línguas nestas escolas. Esta licenciatura é específica para as etnias Guarani/Kaiowá e vem sendo ofertada desde 2006 pela Universidade Federal da Grande Dourados, MS.

Palavras-Chave: Ensino de Português para indígenas; Formação de professores; Educação Linguística.


ANÁLISE LINGUÍSTICA, ESTILO, PLANO DE TRABALHO DOCENTE E GÊNEROS DAS ESFERAS LITERÁRIA E MIDIÁTICA: RESULTADOS PARCIAIS

Alba Maria Perfeito - UEL - Autor Principal
perfetto_3@hotmail.com

O objetivo desta comunicação é trazer à reflexão resultados parciais do “Projeto análise linguística e Plano de Trabalho Docente: gêneros das esferas midiática, literária e acadêmico-escolar”, que, qualitativamente, investiga e problematiza, no ensino básico e superior, a abordagem da análise linguística contextualizada às práticas de leitura e/ou de produção textual em enunciados concretos de gêneros veiculados nas esferas postas, buscando soluções, com respaldo teórico-prático. Com tal enfoque, interpretando didaticamente a visão bakhtiniana, entendemos os gêneros discursivos, circulantes nas diferentes esferas de atividades humanas, como eixo de progressão e articulação curricular de língua materna no ensino básico, dizíveis em forma de enunciados concretos ou textos-enunciado. Estes, postulamos como objeto de ensino de língua portuguesa, os quais, permeados por vozes anteriores e posteriores, constituem-se irreproduzíveis no plano discursivo. Ressaltamos, aqui, o tratamento da análise linguística nas práticas de leitura, na transposição didática de enunciados concretos de um dado gênero de determinado campo social, via recursos linguístico-expressivos, com centralidade na coprodução de sentido, especificamente pela concepção de estilo (BAKHTIN, 2003). Analisamos, assim, elementos de regularidades textuais, lexicais e gramaticais e de construção composicional do gênero, retomadas, em contextos específicos, conjuntamente a outras marcas singulares, nos modos de dizer do sujeito, indissociados do tema e de suas condições de produção. A eleição científico-pedagógica, pois, é por uma corrente linguística abarcadora do processo interativo, configurando aspectos de ideologia, de dialogia, de gêneros discursivos e de enunciado concreto, aliada aos conceitos de Zona de Desenvolvimento Proximal (VYGOTSKY, 1994), relacionando-os à vertente histórico-crítica da educação (SAVIANI, 2008), teorias fundamentadoras do Plano de Trabalho Docente (GASPARIN, 2009), o qual mobilizamos.

Palavras-Chave: Reflexão sobre resultados parciais; Análise linguisítica; Estilo; Texto-enunciado das esferas midiática e literária.


TRAVESTI: DISCURSIVIDADES DO FEMININO

Alexandre Sebastião Ferrari Soares - UNIOSTE - Autor Principal
asferraris@globo.com

Nesta comunicação, que se orienta pelos pressupostos da análise de discurso francesa, apresento alguns resultados da pesquisa Discurso, corpo e sentido (vinculado ao Programa Promoção e defesa dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais – LGBT, aprovado pelo Programa de Extensão Universitária – PROEXT 2011) sobre pessoas que cruzam e deslocam as fronteiras do gênero. A partir de relato de travestis, de Cascavel, com as quais realizei entrevista sobre, entre outros assuntos, a transformação de seus corpos e a construção de uma “identidade” feminina, apresento os sentidos da feminilidade que se inscrevem em seus corpos. A força do movimento feminista nos anos 60 impulsionou a construção de novos paradigmas nas áreas das humanidades. Um desses paradigmas foi a ideia de gênero ou a cisão do conceito de sexo em níveis distintos. Esse conceito provocou grandes transformações e deslocamentos no nível político e na elaboração teórica sobre o social, cujas novas dinâmicas são incontestáveis: impressões sobre o corpo, o sexo e as relações sociais. Pode-se dizer que sujeito e sentido constituem-se simultaneamente através da interpelação. E é através do modo pelo qual a posição-sujeito relaciona-se com a forma-sujeito que temos o desdobramento do sujeito do discurso (esta questão é fundamental para entender o funcionamento da matriz heterossexual na cultura ocidental). Pêcheux 1988, mostra que existem três formas pela qual essa relação pode se dar: a de identificação, a de contra-identificação e, finalmente, a de desidentifiação. Proponho, a partir dessa relação, pensar em uma superidentificação das travestis com o feminino quando decidem se transformar, física e socialmente. É no corpo que elas localizam os principais símbolos do masculino e do feminino; e investem conhecimento, tempo e dinheiro para que possam ostentar, sentir e exibir um corpo diferente, um novo corpo.

Palavras-Chave: Sujeito; Identificação; Sexualidade.


HIERARQUIA DE REFERÊNCIA EM CONSTRUÇÕES COM TRÊS PARTICIPANTES EM NHEENGATU

Aline da Cruz - UFG - Autor Principal
aline.da.cruz@live.com

Em línguas da família Tupi-Guarani, hierarquias de referência têm se mostrado de grande valia para analisar padrões diferenciais de marcação de objetos em orações transitivas (cf. JENSEN (1990) para uma visão comparativa). Diferentemente de outras línguas da família, o Nheengatu, língua que se desenvolveu como língua geral amazônica a partir da reestruturação do Tupinambá (Tupi-Guarani, subgrupo III), trata participantes intralocutivos e extralocutivos de forma similar nas orações transitivas, exceto pela maior tendência à elisão de objetos que se referem a participantes não-animados. Nas construções com três participantes, por sua vez, os efeitos da hierarquia de referência levam à cisão morfológica na forma de marcação de RECIPIENTES extralocutivos e intralocutivos. Além da marcação diferencial para participantes extralocutivos e intralocutivos em construções com três participantes, a marcação do terceiro participante também é condicionada pela relação que se estabelece entre o TEMA e o RECIPIENTE. Nesta comunicação, os padrões de marcação de terceiro participante serão analisados, mostrando os fatores sintáticos, semânticos e pragmáticos que condicionam cada uma das construções. Após analisar as construções que expressam três participantes e os fatores que as condicionam, esta comunicação discute como o Nheengatu inova em relação a outras línguas da família e como as descobertas feitas no Nheengatu são compatíveis com previsões tipológicas sobre a realização de argumentos em construções com três participantes.

Palavras-Chave: Nheengatu (língua geral amazônica); Hierarquia de referência; construções com três participantes.


DIALOGISMO E ESTILO NO GÊNERO CANÇÃO POPULAR

Álvaro Antônio Caretta - UNIFESP - Autor Principal
alcaretta@yahoo.com.br

Todo discurso constitui-se pela heteroglossia, pois o seu potencial realiza-se na interação com outras linguagens, logo ele não é elaborado a partir de uma língua neutra. As palavras são tomadas sempre da boca de outros falantes e postas a serviço das intenções do enunciador. O gênero canção trabalha com as diversas linguagens sociais. Para que elas se transformem em canção, devem passar pelo discurso de um compositor, a quem compete tomar essas palavras \"de segunda mão\" e reelaborá-las segundo suas intenções. O estilo do gênero constitui-se nesse processo dialógico. O enunciado harmoniza-se com outros, complementa-os, dissocia-se deles e rejeita-os. Essa tensão entre o discurso e a linguagem do “outro” manifesta-se no material, na forma e no conteúdo do enunciado, que se constitui na perspectiva da outra voz. Para estudarmos esses aspectos do estilo no gênero canção popular brasileira, abordamos a relação dialógica desse gênero discursivo com o estilo prosaico e o poético. A partir da análise de canções, observaremos como a escolha lexical, o tom das palavras e as rimas, associados aos elementos musicais, manifestam tanto a relação dialógica do enunciado-canção com outros enunciados, quanto a relação do enunciador com o “outro” e seu universo de valores na heteroglossia dialogizada.

Palavras-Chave: Gênero; Canção popular; Estilo.


ENSINO-APRENDIZAGEM DA LÍNGUA ESPANHOLA NO BRASIL: CONTRIBUIÇÕES DO INTERACIONISMO SOCIODISCURSIVO

Ana Berenice Peres Martorelli - UFPB - Autor Principal
anaberenice@uol.com.br

María Antonieta Andión-Herrero - UNED – Espanha
maandion@flog.uned.es

Este trabalho tem como objetivo principal apresentar as contribuições do Interacionismo Sociodiscursivo no ensino-aprendizagem da língua espanhola para brasileiros. No Brasil, o ensino do espanhol vem crescendo vertiginosamente nas últimas décadas, não só com a criação do Mercosur e seus acordos de difusão e intercâmbio entre as línguas espanhola e portuguesa, mas, também com a implementação da lei que obriga todas as escolas de Ensino Médio a oferecerem a seus alunos uma segunda língua estrangeira, no caso, a espanhola. Esses fatos, que à primeira vista, parecem tão propícios ao ensino do referido idioma, trazem à tona aspectos nem sempre positivos como a falta de professores qualificados, escassez de materiais didáticos direcionados ao público brasileiro e, sobretudo, os poucos estudos científicos centrados nesse tema. Pensando em todo esse cenário decidimos realizar um trabalho de pesquisa que tem como embasamento os pressupostos te óricos do Interacionismo Sociodiscursivo(BRONCKART, 1999, 2006), com o intuito de otimizar o ensino-aprendizagem do espanhol como língua estrangeira (ELE). Esta investigação está dividida em duas etapas. Em um primeiro momento, nos centramos nas escolhas lexicais apresentadas no corpus, posto que a proximidade entre as duas línguas pode servir tanto como um elemento facilitador mas, também, como componente de dificuldade do aprendizado. Na segunda etapa da pesquisa, elaboramos duas sequências didáticas apoiadas nos estudos de JoaquínDolz, Michele Noverraze Bernard Schneuwly(2010) sobre o tema. Para esta comunicação fizemos um recorte da pesquisa e nos centraremos no conteúdo léxico e sua aplicação nas sequencias didáticas.

Palavras-Chave: Ensino-aprendizagem; Sequencia didática; Formação docente.


MARCAÇÃO DE PESSOA EM ARARA (KARIB)

Ana Carolina Ferreira Alves - USP - Autor Principal
carolfalves@gmail.com

Orientadora: Profa. Dra. Luciana Storto - USP

A estrutura argumental indica as mais importantes relações gramaticais de uma língua. Este trabalho apresenta aspectos da estrutura argumental, a partir da marcação de argumentos verbais de Arara, uma língua pertencente à família linguística Karib e falada por cerca de 400 pessoas no Médio Xingu. As letras capitalizadas S, A e O se tornaram correntes, a partir de Dixon (1994), como ferramentas auxiliares na descrição do argumento único das sentenças intransitivas (S), o agente das sentenças transitivas (A) e o argumento pacientivo das sentenças transitivas (O), respectivamente. Do ponto de vista do alinhamento desses argumentos, as línguas são descritas como predominantemente nominativo-acusativas (A/S e O) ou ergativo-absolutivas (A e O/S). Além desses e outros tipos de alinhamento possíveis, há o tipo identificado como split-S (A/Sa e O/So). No decorrer deste artigo será demonstrado o alinhamento do complexo sistema de marcação de afixos pronominais de Arara e sua interação com hierarquia de pessoa. Em verbos transitivos, as funções de A e O são marcadas por duas séries de prefixos. Alguns verbos intransitivos tomam argumentos S que são semelhantes a A enquanto outros tomam argumentos que se assemelham a O, conforme ilustrado nos exemplos abaixo. Na relação entre segunda e terceira pessoa, esta não é marcada. a) m-angko-nangri 2A-cortar-npass ‘você o está cortando’ b) m-orig-u-ny 2S-dançar-vl-pass ‘você dançou’ c) o-angko-nangri wangkonagri 2O-cortar-npass ‘ele está cortando você’ d) o-erang-yny irangyny 2S-assustar-pass ‘você assustou’ Note-se que a forma da segunda pessoa S em (b) é a mesma de A em (a) enquanto a forma de S em (d) é a mesma de O em (c). A princípio este alinhamento pode ser caracterizado como padrão split-S. As características completas desse tipo de alinhamento e o comportamento das demais pessoas também serão apresentados neste trabalho. Um caso ainda intrigante consiste na marca verbal envolvendo apenas terceiras pessoas a qual é assinalada pelo morfema zero. A análise é realizada a partir de dados provenientes de trabalho de campo atual, incluindo corpus de fala natural e elicitações. Este tema é interessante não apenas por contribuir para o entendimento da língua Arara em si, mas também por possivelmente favorecer o reconhecimento de proximidade genética e agrupamento de subfamílias dentro da família linguística Karib, uma questão ainda não totalmente resolvida.

Palavras-Chave: Marcação de pessoa em Arara (Karib); Estrutura Argumental; Split-S.


PREFIXOS RELACIONAIS R2 E R4 EM CONSTRUÇÕES GENITIVAS E ATRIBUTIVAS EM LÍNGUAS TUPÍ-GUARANÍ

Ana Gabriela Gomes Aguiar - UnB - Autor Principal
anagabiaguiar@gmail.com

Heloísa Salles - UnB
heloisasalles@gmail.com

Orientadora: Profa. Dra. Heloísa Salles - UnB

O estudo examina a sintaxe dos morfemas/ prefixos ditos relacionais (R) em línguas da família Tupí-Guaraní (TG), tendo por objetivo investigar a hipótese de que, na estrutura do sintagma nominal possessivo, tais morfemas codificam a categoria ‘pessoa’, tendo em particular no prefixo R2 e R4 uma contraposição de animacidade. Nessa abordagem, assume-se com Rodrigues (1952) que a morfologia-R constitui uma marca gramatical da relação argumental entre um determinante e o termo que o seleciona – o determinado. Nesse sentido, a morfologia-R constitui um marcador gramatical da relação entre um núcleo e o argumento (interno) realizado na posição de complemento. Na discussão, investigamos a afirmação de Rodrigues (2001) segundo a qual “[n]as línguas que têm o prefixo R4, o prefixo R2 implica, por default, não havendo nenhuma explicitação do determinado, que este é não-humano.” Na ausência de um antecedente para ligar a variável introduzida pelo morfema R, o R4 liga um operador genérico, o que pressupõe a presença do traço [+humano] (m-pý-a / ‘pé de gente’, h-awá-Ø/ ‘rosto de gente’- Guajá), enquanto o R2 determina uma relação atributiva (h-awyhú juhú/ ‘azul claro’ (lit.: o azul claro [de algo])’, puh? Ø-parikwa-hár-eme/ ‘comprador de remédio’ - Guajá ), de que resulta uma hierarquia de animacidade: humano > inanimado. Na presença do traço [+animado], tem-se a configuração possessiva, sendo possuidor interpretado como 3ª pessoa indeterminando; na presença do traço [-animado], tem-se a configuração atributiva. Nesse sentido, a identificação do referente pelos prefixos R2 e R4 (sem antecedente) contrapõe uma configuração de posse, com o possuidor indeterminado marcado pelo traço [+humano], e uma configuração que denota uma relação semântica atributiva.

Palavras-Chave: Línguas Tupí-Guaraní; Prefixos relacionais; Estrutura de posse e atribuição.


AÇÕES MEDIADORAS DE ALUNOS NO FÓRUM DE DISCUSSÃO DE UM CURSO SEMIPRESENCIAL DE ESPECIALIZAÇÃO

Ana Lygia Almeida Cunha - UFPA - Autor Principal
analygia04@gmail.com

Este trabalho tem como objetivo identificar ações mediadoras desempenhadas por alunos de um curso de especialização por meio da interpretação de mensagens postadas nas discussões do fórum de discussão. A constatação de que alguns alunos atuavam como mediadores, ao interagir com os colegas, levou à realização da presente pesquisa, que consistiu na investigação das condições que podem fazer do aluno um mediador, contribuindo, assim, para o estudo da mediação semiótico-pedagógica em contexto online. Partindo-se da noção de mediação de Vygotsky (1967/2008), buscou-se, em trabalhos de autores interessados no estudo das condições em que se realiza o ensino-aprendizagem online e na interação por meio do fórum – como Garrison e Anderson (2003), Coll e Monereo (2010), Monereo e Pozo (2010), Coffin et al. (2005, 2006), Gunawardena (1999), Celani e Collins (2006), Collins (2008), Pallof e Pratt (2004), entre outros – subsídios teóricos para a interpretação das mensagens postadas por alunos mediadores, com base na orientação da hermenêutica de Ricoeur (2002, 2006, 2009), para quem as ações expressas em textos escritos podem tornar-se objeto da ciência. As considerações às quais levou a pesquisa indicam a importância do fórum como um espaço privilegiado para a mediação feita por alunos com relação a seus colegas.

Palavras-Chave: Educação a Distância; Mediação; Interação online.


AÇÕES MEDIADORAS DE ALUNOS NO FÓRUM DE DISCUSSÃO DE UM CURSO SEMIPRESENCIAL DE ESPECIALIZAÇÃO

Ana Lygia Almeida Cunha - UFPA - Autor Principal
analygia04@gmail.com

Este trabalho tem como objetivo identificar ações mediadoras desempenhadas por alunos de um curso de especialização por meio da interpretação de mensagens postadas nas discussões do fórum de discussão. A constatação de que alguns alunos atuavam como mediadores, ao interagir com os colegas, levou à realização da presente pesquisa, que consistiu na investigação das condições que podem fazer do aluno um mediador, contribuindo, assim, para o estudo da mediação semiótico-pedagógica em contexto online. Partindo-se da noção de mediação de Vygotsky (1967/2008), buscou-se, em trabalhos de autores interessados no estudo das condições em que se realiza o ensino-aprendizagem online e na interação por meio do fórum – como Garrison e Anderson (2003), Coll e Monereo (2010), Monereo e Pozo (2010), Coffin et al. (2005, 2006), Gunawardena (1999), Celani e Collins (2006), Collins (2008), Pallof e Pratt (2004), entre outros – subsídios teóricos para a interpretação das mensagens postadas por alunos mediadores, com base na orientação da hermenêutica de Ricoeur (2002, 2006, 2009), para quem as ações expressas em textos escritos podem tornar-se objeto da ciência. As considerações às quais levou a pesquisa indicam a importância do fórum como um espaço privilegiado para a mediação feita por alunos com relação a seus colegas.

Palavras-Chave: Educação a Distância; Mediação; Interação online.


LÍNGUA E IMIGRAÇÃO

Ana Maria Carnevale - UFF - Autor Principal
anacarnevale12@gmail.com

Língua e Imigração Pensar no sujeito histórico ideológico, atravessado pelo inconsciente e a língua como instrumento que permite ao mesmo sujeito um ir e vir contornando fronteiras movimenta questionamentos. Vejamos a questão da imigração. Em um tempo primeiro, marcando o século passado, o Brasil foi palco de grandes imigrações. Sujeitos marcados por uma história (principalmente pela guerra) e que pensavam na possibilidade de um país outro, onde poderiam retomar suas histórias e refazer suas vidas, ainda que falassem línguas distintas, as mesmas não serviram de barreira para que tal possibilidade se colocasse. Hoje, em época distinta, vemos surgir nos sujeitos contemporâneos tal movimento de imigração. O Brasil é hoje palco, não mais receptor de imigrantes. São os sujeitos nacionais que imigram para diversos países. Há ainda hoje os que não conhecem a língua para onde estão imigrando e, mais uma vez, vemos que isto não impede que tal fato se dê. Uma indagação se coloca: qual movimento fomenta, de fato, os sujeitos a imigrarem? Seria apenas uma questão de reformulação de vidas, de busca de novas possibilidades? A língua, como ferramenta imperfeita que é, aponta para uma direção, qual seja, a de que há uma possibilidade. Ainda que se fale uma língua distinta é possível atravessar fronteiras, mesmo que não se saiba falar a língua do país ao qual se está dirigindo. E assim, a língua materna e a língua a ser adotada, ambas fazem parte das histórias dos sujeitos em questão. E permitem que possamos visualizar os limites tênues existentes entre ambas e as possibilidades que se colocam para cada sujeito a partir de suas “escolhas”. Deste modo, tendo como base a Análise do Discurso de linha francesa, segundo Michel Pêcheux e a Psicanálise lacaniana, proponho percorrer caminhos que nos levem através das fronteiras entre língua e imigração.

Palavras-Chave: Análise do Discurso; Psicanálise; Língua e Imigração.


A CONTRIBUIÇÃO DAS ANÁFORAS ENCAPSULADORAS NA CONSTRUÇÃO DE SENTIDO E PROGRESSÃO ARGUMENTATIVA NO GÊNERO ARTIGO DE OPINIÃO

Ana Maria da Silva Nunes - UFPI - Autor Principal
anamsn64@hotmail.com

Orientadora: Profa. Dra. Silvana Maria Calixto De Lima - UFPI

O ato de escrever é um processo que requer do autor a habilidade de saber dizer sua proposta discursiva de forma coesa e coerente. No entanto, esse processo se torna mais difícil porque não se tem uma interação face-a-face com seu interlocutor. Por isso, no texto escrito é necessário que o escrevente recorra a mecanismos que possibilitem a emissão da mensagem que dê margens a possíveis interpretações de um texto que seja dinâmico e centrado ao mesmo tempo. Para tanto, o campo linguístico oferece recursos como os processos de referenciação, a saber: as introduções referenciais e as anáforas, que estão divididas em três tipos: as anáforas diretas, indiretas e encapsuladoras. Este trabalho tem como objetivo analisar a contribuição das anáforas encapsuladoras na construção de sentido e progressão argumentativa em um corpus constituído por quatro artigos de opinião da revista Veja. Para tanto, buscou-se aporte teórico em Cavalcante (2003, 2011, 2012); Koch (2004) e Costa Val (1999) sem deixar de considerar relevante a visão de outros estudiosos na consecução desta pesquisa. Depois de constituído o corpus, procedeu-se com as análises em que se constatou que as anáforas encapsuladoras se constituem em um fundamental recurso na construção de sentido e na progressão argumentativa na elaboração de artigos de opinião.

Palavras-Chave: Referenciação; Anáforas encapsuladoras; Artigo de opinião.


NOMES CLASSIFICATÓRIOS EM PARESI (ARUÁK)

Ana Paula Barros Brandão - University of Texas At Austin - Autor Principal
apbrandao7@gmail.com

Orientadora: Profa. Dra. Patience Epps - University of Texas At Austin

Paresi é uma língua pertencente à família Aruák, falada em Mato Grosso. Os nomes classificatórios (daqui por diante NC) em Paresi apresentam propriedades semânticas e discursivas encontradas em classificadores e propriedades derivacionais relacionadas aos termos de classe. É possível encontrar ainda NCs em diferentes estágios de gramaticalização. NCs são nomes inalienáveis que podem fazer parte de um composto ou/e serem incorporados ao verbo (ex.: -kate \'pé de árvore\' em e-kate (3s-pé de árvore) ‘pé de árvore dele’ e em ahite kate ‘pé de urucum’). Outra característica de alguns NCs é a extensão semântica de seus sentidos originais. Por exemplo, -ri ‘fruta de’ é usado com o sentido de ‘redondo’ em ekaoli-ri (joelho-fruta de) ‘joelho dele’, referindo-se ao formato redondo do joelho. Observa-se que alguns NCs em Paresi se desenvolveram a partir de nomes inalienáveis para plantas, como também foi descrito para outras línguas Amazônicas (Epps, 2008; Facundes, 2000). NCs podem também ser usados anaforicamente. Uma outra função dos NCs é a função derivacional. NCs são usados produtivamente em compostos para formar novos lexemas (e.x.: -tse em kore-tse (flecha-semente de) \'chumbo\'). Além disso, Paresi, assim como Apurinã (Facundes, 2000), apresenta raízes que podem ser incorporadas ao verbo. Finalmente, uma função marginal dos NCs é a marcação opcional de concordância em numerais. Concordância é uma característica em geral obrigatória em línguas com classes nominais. Portanto, Paresi é mais um exemplo de uma língua Amazônica que possui um sistema de classificação que pode ser analisado como um sistema de classe nominal menos gramaticalizado (Grinevald, 2002).

Palavras-Chave: Aruák; Paresi; Nomes classificatórios.


O DISCURSO L

Ana Paula El-Jaick - UFJF - Autor Principal
anapaulaeljaick@gmail.com

Na fronteira entre literatura, panfletagem, biografia, a assim chamada literatura queer ganhou força principalmente a partir dos anos 1960, embalada por uma leitura da filosofia desconstrucionista de Jacques Derrida. Com o que ficou conhecido como estudos de gênero, a literatura gay, ao menos aparentemente, ganhou uma identidade, o que se refletiu no próprio mercado editorial. No Brasil, esse nicho só veio a ser devidamente explorado nos anos 1990-2000, com o surgimento das Edições GLS. Esse selo, do Grupo Summus, veio a suprir a carência de um segmento da sociedade que vinha sendo sistematicamente silenciado, não discursivizado – era como se não existisse. Afinal, o amor que não ousa dizer seu nome tampouco ousa ser lido. Entendendo que o discurso reconhecido como literário é, também, um discurso em que sujeitos se posicionam discursivamente, este trabalho pretende analisar a representação das lésbicas nos livros publicados pelas Edições GLS desde sua fundação até os dias de hoje. Tendo esse objeto de pesquisa delimitado, meu objetivo neste artigo é debater alguns efeitos de sentido possíveis para aquelas que se identificam no significante simbolizado pela letra L da sigla (GLS), em nossa contemporaneidade.

Palavras-Chave: Edições GLS; Literatura queer; Estudos de gênero.


OS FONEMAS VOCÁLICOS ORAIS ARAWETÉ: PARTICULARIDADES ARTICULATÓRIAS E ACÚSTICAS

Ana Sousa da Silva - UFPA - Autor Principal
anasidja@yahoo.com.br

Orientadora: Carmen Lúcia Rodrigues - UFPA

Orientadora: Gessiane Picanço - UFPA

A língua araweté está classificada como parte do quinto subconjunto da família Tupí-Guaraní e é falada por um grupo de aproximadamente 400 pessoas que residem às margens do igarapé Ipixuna, afluente do rio Xingú no município de Altamira, estado do Pará. O presente trabalho objetiva apresentar uma re-análise das unidades fonológicas orais araweté, tendo em vista propriedades articulatórias e acústicas de cada segmento sonoro, ressaltando especialmente o caráter articulatório diferenciado das vogais orais classificadas como vogal alta [-anterior] [?] e vogal média [-anterior] [?]. Para tanto, partimos de um breve resumo de propostas anteriores à classificação dos fonemas vocálicos araweté, observando as principais divergências apresentadas nesses estudos entre si, e em relação ao estudo atual, principalmente no que se refere à qualidade das vogais araweté. Demonstraremos por meio de ilustrações os traços articulatórios peculiares das unidades sonoras que causam as divergências mais relevantes, bem como os resultados das análises acústicas que nos permitem precisar a qualidade e a classificação dos fonemas vocálicos araweté.

Palavras-Chave: Araweté; Fonética; Fonologia.


A ANÁLISE DOS ELEMENTOS COMPOSICIONAIS DO TEXTO: A RELAÇÃO ENTRE LINGUÍSTICA DESCRITIVA E ANÁLISE TEXTUAL DOS DISCURSOS

André Anderson Cavalcante Felipe - UFRN - Autor Principal
andreandersonf@gmail.com

Orientador: João Gomes da Silva Neto - UFRN

O presente trabalho apresenta questões teóricas sobre a análise de elementos composicionais do texto com base na Análise Textual dos Discursos (ATD) e na Linguística Descritiva (LD), evidenciando uma relação entre essas teorias de forma a possibilitar melhorias para a atividade do analista de texto. Como objetivo, pretende elucidar algumas competências necessárias para que o analista de texto desenvolva suas atividades de forma satisfatória, ao analisar os elementos que constituem o texto: as proposições-enunciados e os sintagmas. Como referencial teórico utiliza os pressupostos de Adam (2011) e Perini (2006), para nortear os procedimentos de análise das proposições-enunciados, e dos aspectos sintáticos e semânticos dos sintagmas nominais e verbais no texto. Como aporte metodológico, utiliza a pesquisa bibliográfica e documental para fundamentar os procedimentos teóricos e práticos necessários na prática dos analistas de texto. Os resultados apontam que as atividades de análise textual devem ser iniciadas pela descrição linguística, ou seja, descrever, caracterizar, segmentar e sistematizar o texto, para chegar ao discurso. Para isso, o analista de texto deve-se levar em consideração: a) as marcas linguísticas do texto (peritexto), b) a existência de proposição-enunciado, c) a integridade do texto (ater-se estritamente ao que está escrito). Conclui que a análise textual implica uma série de metodologias que determinam o avanço ou fracasso do estudo de texto, de modo que, faz-se necessário, que os analistas de texto apliquem as teorias de análise conforme as pretensões almejadas.

Palavras-Chave: Análise de Texto; Análise Textual dos Discursos; Linguística Descritiva.


MÍDIA E POLÍTICA: PRÁTICAS DISCURSIVAS EM NOTÍCIAS ONLINE

Andre William Alves de Assis - UFMG - Autor Principal
assis.awa@gmail.com

A comunicação online é uma realidade no mundo atual. Em uma sociedade em que a urgência é quase uma necessidade diária, uma imposição social, a velocidade da internet se consolidou em um campo gigantesco e gerador de produtos/serviços em que circulam informações dos mais variados tipos, materializados em diferentes gêneros discursivos, pertencentes aos mais variados campos. A rapidez da internet, junto às imensas possibilidades de comunicação, associou-se ao jornalismo online, o que permitiu maior visibilidade das informações em rede, com amplos resultados no que diz respeito à apuração dos fatos e à transformação destes em notícia. Isso fez com que a internet, de certa forma, interferisse no processo de produção do jornalismo contemporâneo, que teve que se adequar a esse novo (ciber)espaço. É nesse contexto que se encontra nosso corpus composto por notícias online: gênero discursivo que pertence à ordem do relatar, organizado de forma particular, com a finalidade primeira de ser claro, imparcial e esclarecedor dos acontecimentos sociais. Neste trabalho, propomos uma análise em torno das práticas discursivas do jornalismo online. Interessa-nos observar a produção de pequenas frases de atores políticos, relacionadas às rotinas dos profissionais da mídia. Na análise, podemos observar que as pequenas frases possibilitam a apreensão das práticas dos atores políticos e sociais, especialmente por revelarem uma ligação muito forte, uma reciprocidade que garante a sobrevivência das instâncias política e midiática que promove a circulação de ideias, saberes e a propagação de lugares discursivos. A produção de pequenas frases parte de ações de ocultação e visibilidade, refletindo a profissionalização da política em suas funções comunicativas e o trabalho do profissional da comunicação, uma vez que a sua produção é constitutiva da competência dos profissionais de comunicação.

Palavras-Chave: Práticas Discursivas; Notícia Online; Pequenas Frases.


UMA ANÁLISE DO FATOR INTIMIDADE COMO DETERMINANTE PARA O USO OU NÃO DE ARTIGO DEFINIDO DIANTE DE ANTROPÔNIMO"

Andréia Almeida Mendes - UFMG - Autor Principal
andreialetras@yahoo.com.br

Pretende-se analisar se o grau de intimidade do informante em relação ao antropônimo a que se refere é fator determinante para o uso ou não de artigo definido neste contexto; os gramáticos postulam que o uso do artigo definido diante dos nomes próprios denota um tom de familiaridade ou afetividade, assim, antepõe-se o artigo definido diante de antropônimos com o intuito de marcar intimidade. Porém, ao tratarem o fator intimidade como regra para o emprego do artigo definido nesse contexto, os gramáticos esquecem-se de determinar objetivamente em relação a quem essa intimidade deve estar relacionada, se ao falante, conforme Bechara (1987) e Almeida (1973), ao ouvinte, conforme Souza da Silveira (1960) e Said Ali (1964) ou aos dois. Levou-se em conta, nesta análise, o ponto de vista segundo o qual o fator intimidade está ligado à intimidade que o falante tem com o referente. Para Amaral (2007), os falantes usam a variante não predominante, seja ela a ausência ou a presença, para fazer referência a pessoas com as quais não têm nenhum grau de intimidade e a variação predominante para fazer referência às pessoas com as quais possui contato. Assim, essa intimidade foi analisada, inicialmente, de acordo com três divisões: pessoa mais próxima do falante, pessoa mais distante do falante e pessoa pública. A pesquisa desenvolveu-se a partir da análise quantitativa e qualitativa realizada no corpus constituído por 8 entrevistas: quatro realizadas no Pouso Alto (Abre Campo) e quatro realizadas no Córrego dos Lourenços (Matipó). Os dados quantificados serviram para nos mostrar que o parâmetro intimidade ou familiaridade do referente do antropônimo influi sim no emprego de artigo definido diante de antropônimos – o que pode ser observado na fala dos moradores da zona rural de Matipó –, mas não deve ser visto uma regra categórica.

Palavras-Chave: Artigo definido; Antropônimo; Sociolinguística.


CONCORDÂNCIA DE PESSOA E NÚMERO NOS VERBOS IKPENG

Angela Fabíola Alves Chagas - UNIFAP/UNICAMP - Autor Principal
angchagas@yahoo.com.br

A língua Ikpeng (Karib) possui duas séries de prefixos pessoais. A Série I codifica o sujeito e a Série II indica o objeto dos verbos transitivos. O uso dos prefixos pessoais no verbo transitivo é “determinado pela hierarquia de pessoa, que indica a topicalidade ou a proeminência das pessoas envolvidas” (PACHÊCO, 2001), podendo ser marcado o sujeito ou o objeto. Segundo Pachêco (2001), a hierarquia de pessoa em Ikpeng parece seguir uma tendência universal que indica que 1> 2> 3. Porém, encontramos alguns problemas que ainda precisam ser solucionados: i) a relação 1A-2P ora é marcada pelo prefixo de primeira pessoa {k-}, ora pela forma {kw-}. Aqui dois problemas podem ser identificados: a) por que uma mesma relação apresenta duas formas de marcação?; e b) quantos e quais morfemas estão envolvidos na marcação com {kw-}?; ii) na relação 1A-3P o verbo estabelece concordância com a 3ª pessoa, o que viola os princípios da hierarquia proposta. Com relação aos verbos intransitivos, a marcação de pessoa se dá de forma cindida, em função da semântica codificada por dois tipos de verbos: verbos que envolvem mudança (de estado: derreter, esquentar, estragar; e de lugar/deslocamento: correr, chegar, subir) são marcados com os prefixos da série I; enquanto que os demais tipos de verbo (ação, evento, estado, processos corporais) são marcados com prefixos da série II. Em relação à concordância de número no verbo, pudemos verificar que três regras se aplicam para a sua realização: a) o verbo nunca concorda em número com a 1ª pessoa; b) numa relação onde há uma 2ª e uma de 3ª pessoa envolvidas, o verbo concordará sempre com a pessoa que estiver no plural; c) numa relação onde há duas 3as pessoas envolvidas, o verbo concorda sempre com o sujeito.

Palavras-Chave: Hierarquia de pessoa; Concordância; Verbo.


COMPREENSÃO DE TEXTOS ESCRITOS EM INGLÊS: O PAPEL DOS PROTOCOLOS VERBAIS

Annallena de Souza Guedes - UFAL/IFBA-Ilhéus - Autor Principal
annallenaguedes@hotmail.com

Orientadora: Profa Dra. Maria Inez Matoso Silveira - UFAL

O processamento de leitura se configura como um fenômeno que não pode ser diretamente observado, dada a sua característica de intangibilidade. Por conta disso, alguns procedimentos metodológicos são utilizados para analisar elementos do processamento cognitivo realizado pelo leitor para compreender o texto. Desse modo, os Protocolos Verbais constituem um dos instrumentos utilizados na pesquisa em compreensão de leitura e têm como objetivo verificar os processamentos estratégicos do leitor para chegar à compreensão do texto, demandando que os leitores verbalizem o que vem à sua mente durante a leitura. Nessa perspectiva, utilizando-se dos pressupostos teóricos de Tomitch (2008) e Souza & Rodrigues (2008), esta comunicação objetiva apresentar e discutir sobre o uso de Protocolos Verbais para verificar componentes estratégicos da compreensão de leitura em Inglês, a partir de dados de uma pesquisa realizada com estudantes de dois cursos técnicos de nível médio de uma instituição de educação profissional e tecnológica da cidade de Porto Seguro, Bahia. Os Protocolos Verbais foram realizados através de um roteiro previamente elaborado, no qual o pesquisador questiona os estudantes sobre a escolha de determinadas palavras para o preenchimento de um teste lacunado (teste cloze). Os dados revelaram que, entre os alguns estudantes, o não conhecimento sistêmico do Inglês implicou na dificuldade na execução do teste, ao passo que outros alunos que tinham conhecimento sistêmico e, durante a leitura utilizam estratégias metacognitivas, tiveram mais êxito para alcançar a compreensão. Diante disso, podemos afirmar que o uso dos Protocolos Verbais constitui-se de extrema importância para a avaliação da compreensão de leitura em uma língua estrangeira como o Inglês, dada a complexidade de se avaliar essa habilidade.

Palavras-Chave: Protocolos Verbais; Leitura em Inglês; Compreensão de textos escritos.


ASPECTOS DA CONCORDÂNCIA VERBAL EM ASURINI DO XINGU

Antonia Alves Pereira - UFPA - Autor Principal
antoniapereira1@yahoo.com.br

Este trabalho tem como objetivo apresentar aspectos da realização da concordância verbal em Asurini do Xingu, família Tupi-Guarani, grupo Tupi. Nessa língua, existem Três classes de verbos: transitivos, intransitivos ativos e intransitivos descritivos. Nas sentenças ativas, verbos transitivos e verbos intransitivos ativos são codificados por prefixos da série I. Esses prefixos aparecem anexados aos verbos e concordam em pessoa e número com o sujeito da oração, que pode ser um nominal, um pronome pessoal ou não está expresso- no caso de o sujeito não está expresso, a marca de concordância funciona como identificação. Se os verbos são intransitivos descritivos, o sujeito é codificado por nominal ou por pronome pessoal e ao verbo é anexado um prefixo relacional R- ou -?, conforme a classe dos intransitivos descritivos a que pertence. Quando o objeto da oração é mais tópico que o sujeito, isto é, se acontece de o objeto ser mais alto que o sujeito na hierarquia natural de agentividade, novos critérios são utilizados para a concordância pessoal. Nesse caso, a concordância do verbo é feita com o objeto da oração. Esse fator sintático reflete na morfologia, uma vez que a codificação do elemento da concordância é por pronome pessoal, acompanhado de prefixo relacional ao invés de prefixo da serie I. A oração transitiva fica estruturalmente idêntica a uma oração possessiva, evidenciando-se, assim, uma relação entre transitividade e posse na língua.

Palavras-Chave: Concordância; Sujeito; Morfologia.


EM BUSCA DAS CLASSES DE PALAVRAS DA LÍNGUA WAYORO

Antônia Fernanda de Souza Nogueira - UFPA - Autor Principal
fernandapakori@gmail.com

É consenso entre os linguistas que os critérios mais confiáveis para a classificação das classes de palavras de uma língua são os critérios morfológicos/morfossintáticos e distribucionais, e não os semânticos. Pretende-se neste trabalho investigar aspectos morfossintáticos e distribucionais que evidenciem propriedades diferentes e complementares entre grupos de palavras da língua Wayoro e que, com isso, possa-se identificar as classes de palavras da referida língua. A língua indígena Wayoro faz parte do tronco Tupi, família Tupari, e apresenta apenas 5 falantes de uma população de cerca de 215 pessoas, localizadas no estado de Rondônia (Brasil). Uma primeira hipótese, com base em dados até o momento coletados, é de que nomes e adjetivos distinguem-se de verbos pela possibilidade de utilização do morfema de número {-iat} ‘pluralizador’ entre os primeiros e morfemas flexionais como {-a} ‘vogal temática’ e {-t} ‘passado’ entre os segundos. A distribuição dos paradigmas de prefixos pessoais e pronomes pessoais também constitui um recurso interessante para diferenciar classes. Tanto nomes quanto adjetivos podem ocorrer com o sufixo {-iat} ‘pluralizador’, como dito, e com os prefixos pessoais, indicando possuidor junto aos nomes e sujeito de construção predicativa junto aos adjetivos. O que então diferencia nomes e adjetivos em Wayoro? Uma das evidências de diferenciação é a possibilidade de coocorrência dos pronomes pessoais junto aos adjetivos, e não aos nomes. Compare dois exemplos com a 1ª pessoa do singular prefixal {o-} e pronominal {on}: (i) o-tokaap [1s-cipó] ‘meu cipó’ e (ii) o-txuuw-on [1s-húmido-1s] ‘eu estou molhado’.

Palavras-Chave: Língua Wayoro; Classes de palavras; Paradigmas pessoais.


ENTRE A TEORIA E A PRÁTICA: REFLEXÕES SOBRE O FAZER PEDAGÓGICO DE UMA PROFESSORA DE LÍNGUA PORTUGUESA

Antonio Cícero de Araújo - IFAL - Autor Principal
araujoantonio@uol.com.br

Nesta comunicação, pretendemos discutir e refletir a respeito da forma como a relação teoria e prática é construída por uma professora de uma quinta série de uma escola da rede pública de Maceió. Observaremos como a professora entende os conceitos teóricos com os quais teve contato durante seu percurso acadêmico, seja na graduação, na especialização e, também, nos cursos de formação, e como ela transpõe tais conceitos para sua prática, principalmente, aqueles relacionados à reescrita de textos. Esclarecemos, ainda, que essa análise fará uso do corpus de cinco aulas em que a professora aplicou uma atividade de reescrita de textos. Também faremos uso dos seguintes instrumentos: conversas que tivemos com ela, anotações de campo e visionamentos (CUNHA, 2007). No que se refere à base teórico-metódologica, recorremos à noção de “compreensão responsiva ativa”, presente em Bakhtin (2003, 1992); à posição de Certeau (2000) sobre a questão do “consumo-receptáculo”; à concepção de “autonomia relativa”, de Zozzoli, (2002) e aos preceitos da pesquisa qualitativa, especificamente, do estudo de caso com intervenção (ARAÚJO, 2011). Esperamos que essa proposta contribua para uma reflexão mais acurada a respeito da problemática da formação do professor, especificamente, o de Língua Portuguesa.

Palavras-Chave: Compreensão responsiva; Formação de professor; Reescrita de textos.


TRAÇOS FORMAIS NA GRAMÁTICA MENTAL DE INDIVÍDUOS COM E SEM DÉFICIT DE LINGUAGEM

Arabie Bezri Hermont - PUC-MG - Autor Principal
arabie@uol.com.br

A preocupação central dos estudos gerativistas é a descoberta das informações linguísticas geneticamente codificadas. O conjunto dessas informações é conhecido por Gramática Universal (GU). Todo estudo gerativista, por assim dizer, torna-se um estudo voltado para a descoberta da estrutura da GU. Muitos estudos empreendidos dentro do arcabouço gerativista focam-se no entendimento das categorias funcionais, por elas serem consideradas aquelas responsáveis pelas diferenciações entre as línguas naturais. Dentro deste espírito, estabelecemos o principal objetivo do trabalho a ser apresentado: demonstrar, a partir de estudos, como as categorias funcionais – tempo e aspecto - estão representadas nas gramáticas mentais de falantes do português brasileiro. Apresentaremos resultados de pesquisas feitas a partir de falas de pessoas adultas, falas de crianças sem queixas de problemas no processo de aquisição da linguagem, falas de crianças com queixas de problemas no processo de aquisição de linguagem (denominadas crianças DEL), falas de pessoas com lesão cerebral (denominadas afásicas agramáticas). Estudos que focalizem as categorias funcionais têm grande importância exatamente porque o melhor entendimento de seu comportamento nos levará a uma melhor compreensão acerca dos parâmetros e das diferenças entre as línguas. O trabalho a ser apresentado justifica-se porque possibilita entender como está representada a camada flexional na gramática mental de indivíduos adultos sem déficit linguístico, como também a forma como essa categoria flexional está representada na gramática de crianças em idade de aquisição de língua, de crianças DEL e de indivíduos afásicos agramáticos. Uma sugestão feita, após a análise dos nossos dados, é que a camada flexional é dividida em tempo e em aspecto. Outra evidência advinda das análises feitas é que há influência do aspecto semântico (télico/atélico) na produção do aspecto gramatical (perfectivo/imperfectivo).

Palavras-Chave: Teoria Gerativa; Tempo e aspecto verbais; Gram. de indivíduos com e sem déficit gramatica.


O FIM DO MUNDO DESCRITO NA TEORIA DOS ATOS DE FALA

Aucélia Vieira Ramos - UFPI - Autor Principal
auceliaramos@hotmail.com

Juscelino Francisco do Nascimento - UFPI
juscelinosampa@hotmail.com

Orientadora: Profa. Dra. Iveuta de Abreu Lopes - UFPI

As questões relacionadas à comunicação entre as pessoas sempre instigaram a curiosidade de leigos e cientistas da linguagem. O desejo de entender como se processam os fenômenos de construção e compreensão de expressões, falas e de textos trazem para o cenário científico muitos questionamentos e busca por respostas. No entanto, é necessário não generalizar teorias e não observá-las de maneira superficial para que as mesmas não percam sua real relevância na tentativa de achar respostas. Neste artigo, pretendemos identificar e classificar os atos de fala presentes em comentários on-line sobre o acontecimento do fim do mundo ocorrido no mês de outubro na cidade de Teresina-Piauí. A abordagem teórica será os conceitos básicos da Teoria dos Atos de Fala, desenvolvida e debatida por J. L. Austin em How to do things with words (1976) e a teoria de gênero como ação social defendida por Miller (1984) e Bazerman (2006) e a teoria de gêneros de Bahktin (1979). O corpus é constituído por quatro comentários retirados do portal 180 graus sobre a temática em questão.

Palavras-Chave: Atos de Fala; Comentário; Performatividade.


LÍNGUAS CRUZADAS: ASPECTOS HISTÓRICOS E SOCIOLINGUÍSTICOS DA LÍNGUA CHIQUITANO

Áurea Cavalcante Santana - C.C. Ikuiapá – Museu do Índio – FUNAI - Autor Principal
aurearsh@yahoo.com.br

Neste trabalho, apresento reflexões sobre as lembranças linguísticas vivenciadas pelos anciãos Chiquitano das comunidades de Acorizal, Central, Fazendinha e Vila Nova Barbecho, no município de Porto Esperidião, MT. Sob a perspectiva de que a morte não é fim natural das línguas e que o natural é que todas as línguas ativas apresentem mudanças, demonstra-se como esses anciãos, “lembradores da língua” têm reavivado suas memórias, partilhando suas reminiscências linguísticas e exercitando os usos da sua língua ancestral. Ainda pouco conhecidos, os Chiquitano brasileiros habitam a região fronteiriça entre o Brasil e a Bolívia. Vivem, atualmente, um processo de etnogênese, buscando caminhos favoráveis à ressignificação da coletividade étnica e à cidadania de direito através do reconhecimento identitário e da demarcação de suas terras. A língua Chiquitano, de acordo com a bibliografia existente, resulta do contato e/ou fusão de outras várias línguas faladas pelos grupos que se incorporaram nas reduções missionárias na Bolívia, nos séculos XVII E XVIII. Nas comunidades brasileiras onde foram realizadas as pesquisas que permitiram estas observações, a língua de uso cotidiano é o português. A língua Chiquitano foi mantida no silêncio, mascaradas pelas influências de opressores diversos e há mais de quatro décadas a não é mais transmitida às novas gerações. Tais silêncios, se fizeram, sobretudo, na perspectiva de sobrevivência. Agora, o retorno da voz e a presença da língua ancestral surgem como estratégias de reconhecimento da identidade étnica Chiquitano.Nesse momento, os Chiquitano vivem novos contextos bilíngues e bidialetais nos quais convivem o Chiquitano, o português, o espanhol e, possivelmente outras línguas indígenas de herança ancestral. Neste contexto linguístico múltiplo, as línguas se tocam, se entrelaçam, se cruzam nas lacunas das memórias, indicando que e a língua Chiquitano, mesmo moribunda, apresenta traços de resistência e mutação, sugerindo um sopro de vida, uma perspectiva de sobrevivência.

Palavras-Chave: Língua indígena; Língua Chiquitano; Contato entre línguas.


IV CIELLA

Universidade Federal do Pará - UFPA
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(91)32017501