IV CIELLA - Congresso Internacional de Estudos Linguísticos e Literários na Amazônia
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RESUMO - SIMPóSIOS TEMáTICOS - ESTUDOS LITERáRIOS

Autor do Trabalho
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A EXPERIENCIAÇÃO DO INSÓLITO EM “O REFLEXO PERDIDO”, DE E.T.A. HOFFMANN

Alan Ferreira Costa - UFPA - Autor Principal
alancosta@ufpa.br

Orientador: Prof. Dr. Antonio Maximo von Sohsten Gomes Ferraz - UFPA

A literatura fantástica tem como definição proposta por Tzvetan Todorov, a hesitação diante de acontecimentos ditos insólitos: ocorrências que quebram o cotidiano e deixam o individuo entre duas explicações possíveis, quais são, real ou sobrenatural. No entanto, a realidade com a qual tal evento rompe nunca é questionada. Faz-se necessário, portanto, pensar a relação real/insólito também pelo viés da questão do que é o real. O escritor alemão E.T.A. Hoffmann (1776 - 1822), em suas narrativas, pensa tal relação, como em seu conto O Reflexo Perdido (Das Verlorene Spiegelbild) (1815), no qual um personagem não se vê mais refletido em superfícies especulares. A obra, embora não seja uma das mais reconhecidas do escritor alemão, nos dá a base para os mais diversos questionamentos oferecidos pela chamada Literatura Fantástica. Partindo dos pressupostos da Teoria Literária a respeito Fantástico, o trabalho se põe na verdade como questionador dos rótulos impostos por tal teoria, mostrando que mais do que simplesmente constatar a presença ou não de elementos “sobrenaturais”, devemos nos perguntar sobre o significado deste enquanto representação dos limites real/irreal.

Palavras-Chave: Real; Insólito; E.T.A. Hoffmann


DAS PÁGINAS DE UM JORNAL PARA AS PÁGINAS DE UM LIVRO: MARQUES DE CARVALHO REESCREVE UM CONTO

Alan Victor Flor da Silva - UFPA - Autor Principal
alan.flor@hotmail.com

Orientadora: Profa. Dra. Germana Sales - UFPA

O paraense João Marques de Carvalho foi político, diplomata, jornalista e escritor. Nasceu em Belém, capital do estado do Pará, em 6 de novembro de 1866, e faleceu em Nice, na França, em 11 de abril de 1900, aos 43 anos. Além do romance naturalista Hortência (1888), sua obra mais conhecida, publicou os livros Contos Paraenses (1889), Entre as Ninfeias (1896) e Contos do Norte (1900). Deixou grande parte de sua produção ficcional, tanto em prosa quanto em verso, não apenas em jornais que fizeram parte da constituição histórica da imprensa jornalística paraense, como Diário de Belém, A Província do Pará e A República, como também em periódicos de pequeno porte e vida efêmera, como Comércio do Pará e A Arena. Entre seus diversos textos ficcionais dispersos em folhas periódicas, Marques de Carvalho publicou na coluna Folhetim do jornal A Província do Pará o conto “Que bom marido!” no dia 25 de dezembro de 1885 e, posteriormente, relançou-o no livro Contos Paraenses, divulgado em 1889. Ao cotejarmos tanto a versão em jornal quanto em livro, percebemos que esse conto foi reescrito, pois sofreu algumas alterações, como inserções, supressões e substituições de palavras, expressões, frases e períodos, além de reconstruções de passagens e parágrafos. Objetivamos, portanto, com este trabalho, analisar a reescritura de um conto publicado primeiramente nas páginas de um jornal e depois nas páginas de um livro.

Palavras-Chave: Marques de Carvalho; Reescritura; Conto.


POR UM EDUCAR POÉTICO EM TEMPO DE CONTEMPORANEIDADE

Alberto da Silva Amaral - ESMAC - Autor Principal
albertoamaral@gmail.com

A presente comunicação é resultado dos diálogos realizados no Núcleo Interdisciplinar Kairós, com a intenção de questionar o papel do homem moderno (Foucault) que estar impulsionando cada vez, mas uma educação normalizadora e esquecendo os valores Éticos (Foucault), em uma educação onde a valorização tem se baseado apenas no reconhecimento ou valorização do artista e não na obra de arte como um acontecimento seguindo os padrões positivistas da educação que se alastra por toda formação educacional do ser humano, onde fomos educados em pensar apenas na importância do autor e não da obra. Não permitindo a escuta da obra, se utilizando de teorias prévias para interpretar a mesma. A proposta desse trabalho é justamente questionar esse padrão de ensino técnico cientifico da sociedade moderna, aonde a educação mercadológica reprodutiva de conteúdo voltado apenas para o capitalismo. E sim pensar em uma educação poética livre de teorias pré-estabelecidas. Buscar a escuta do silêncio da obra (Blanchot) à procura do desvelamento da obra de arte (Heidegger) rompendo com dicotomia que a obra de arte imita a realidade. Que o artista é dono da obra e sim pensar que o artista é um pensador, e suas obras são grandes critica da realidade. Como não dizer que Clarice Lispector, Fernando Pessoa, Franz Kafka entre outros poetas não são pensadores que não questionam a modernidade? E não interpretar a obra de arte como algo uma mera ficção e sim como um questionamento dessa contemporaneidade (Agambem) nas quais estamos vivendo. Para discorrer nesse trabalho procurei dialogar com os autores citados acima na busca de questionar esse padrão educacional que está inserido em todos os currículos. Buscando mostrar a importância de uma educação poética em nossas vidas.

Palavras-Chave: Educação; Silêncio; Contemporaneidade.


NARRATIVAS ORAIS DA ILHA DE MOSQUEIRO: MEMÓRIA E SIGNIFICADO

Alcir de Vasconcelos Alvarez Rodrigues - SEDUC-PA /SEMEC - Autor Principal
ay21a@yahoo.com.br

Orientadora: Profa. Dra. Ivânia dos Santos Neves - UNAMA

Esta pesquisa tem como objetivo fundamental analisar narrativas orais de dois moradores da ilha do Mosqueiro, distrito e balneário de Belém, capital do Pará, transcritas e analisadas com o propósito de demonstrar ? principalmente no caso da quase total ausência de documentação – que a oralidade, a História oral, pode ser relevante fonte de geração de dados para a preservação, estímulo e valorização da memória espácio-temporal e humana da ilha, permitindo assim ao pesquisador a apreensão de fatos e informações fidedignos a respeito do funcionamento da estrutura sócio-histórico-cultural da comunidade local. Para isso, fundamentamo-nos em alguns autores, cujas contribuições forneceram um norte a esta pesquisa, a partir dos campos de atuação de cada um deles e das linhas teóricas que adotaram, enriquecendo este trabalho, conferindo-lhe caráter interdisciplinar. Tais autores são, entre outros, Vladímir Propp, Claude Lévi-Strauss, Bronislaw Malinowski, Paul Tompson e Cliford Geertz, que, de um modo ou de outro, desenvolveram relevantes pesquisas sobre a oralidade, valorizando, com suas investigações, saberes que eram antes negligenciados pela intelligentsia, até então extremamente escriptocentrista. Além disso, esta pesquisa busca não somente demonstrar que as narrativas orais da ilha de Mosqueiro podem ser consideradas “documento vivo”, mas que podem também ajudar no resgate do imaginário popular e na preservação da memória coletiva, incentivando, com isso, a sabedoria popular, principalmente a dos idosos, geralmente vítimas de preconceito, que é alimentado pela mesma sociedade que lhes deveria dar todo o respeito que merecem.

Palavras-Chave: Narrativas orais; Mosqueiro; Memória e significado.


TRADUÇÕES PORTUGUESAS DE PAUL DE KOCK NO ACERVO DO GRÊMIO LITERÁRIO PORTUGUÊS DO PARÁ

Alessandra Pantoja Paes - UFPA - Autor Principal
alessandraverbum@yahoo.com.br

Orientadora: Profa. Dra. Valéria Augusti - UFPA

Paul de Kock foi um prolífico escritor francês muito popular no século XIX, tanto na França quanto em outros países, sobretudo, por intermédio das traduções de suas obras. Ao consultarmos os catálogos de bibliotecas e livrarias existentes no Brasil durante o oitocentos veremos que as obras do escritor tinham ampla circulação nessas instituições. Em pesquisa sobre a prosa de ficção presente no acervo do Grêmio Literário Português do Pará, instituição fundada em 1867 pela comunidade portuguesa, observou-se que Paul de Kock se destacava como um dos romancistas franceses com maior número de obras. Grande parte dessas obras são traduções portuguesas enviadas de Lisboa pelo livreiro correspondente do Grêmio Literário Português do Pará em Portugal, Antonio Maria Pereira. O objetivo desta comunicação consiste em discorrer sobre alguns dados editoriais dessas traduções, dentre os quais se inserem data de publicação, tradutores, locais de edição etc., bem como levantar alguns problemas acerca de determinadas características dessas edições tais como, mudanças de títulos, menção à língua de origem e aos textos fontes e presença ou ausência do nome dos tradutores.

Palavras-Chave: Grêmio Literário Português do Pará; Paul de Kock; Traduções portuguesas.


UM CANTO AOS QUATRO CANTOS: O PROCESSO DE UNIVERSALIZAÇÃO DA NARRATIVA O CANTO DA MULHER LOIRA

Alexandre Ranieri Ferreira - UEL - Autor Principal
alexandre_ranieri@hotmail.com

Orientador: Prof. Dr. Frederico Augusto Garcia Fernandes - UEL

O presente artigo tem por objetivo analisar o processo de adaptação da narrativa O canto da mulher loira presente no CDROM Caleidoscópio Amazônico em comparação com a transcrição da narrativa homônima retirada do livro Belém conta... que deu origem a versão do Caleidoscópio, com vistas a entender o processo de adaptação e tradução da narrativa como fator de universalização da mesma e investigar de que forma a recriação e a tecnologia utilizadas ainda permitem a narrativa conservar traços do \"etnotexto\" descrito por PELEN (2001) e representar uma \"comarca oral\" segundo PACHECO (1992). Ou seja, se o mesmo ainda reflete a visão de mundo, usos e costumes, mesmo que esse texto tenha sido recriado num outro formato, para outro fim e público diverso. Ou seja, até que ponto a narrativa, no formato em que se encontra, sofreu um processo de \"desenraizamento\" (WEIL 1943)ou, até que ponto ela ainda encontra-se enraizada já que ainda conserva traços de \"etnotexto\" e ainda representa, de certa forma, a \"comarca oral\" da Amazônia Paraense. Para tanto, usaremos, também, como arcabouço teórico os estudos de autores como ZUMTHOR (2005) e LEVY (1999).

Palavras-Chave: Narrativa; Universalização; Etnotexto.


CIÊNCIA, SOCIEDADE E CULTURA EM EL MERCURIO PERUANO

Alfredo Cordiviola - UFPE - Autor Principal
a_cordiviola@yahoo.com.br

O ensaio analisa a função que o periódico El Mercurio Peruano desempenhou nas sociedades andinas durante o peculiar momento histórico do qual foi testemunha. Publicado em Lima nos últimos anos do século XVIII, o periódico teve uma ampla influência na América do Sul; nas suas páginas foram divulgadas e discutidas as ideias iluministas, e apresentado um amplo espectro de temas relativos à ciência, à política e a sociedade da época. No ensaio discutiremos os modos em que o periódico operou no contexto dos debates sobre emancipação, progresso e nação que estavam sendo travados nesse momento crepuscular da dominação espanhola na América, quando já ia se anunciando um processo que culminaria com a proclamação das independências nacionais ao longo das primeiras décadas do século XIX.

Palavras-Chave: Mercurio Peruano; Imprensa latino-americana; Ilustração.


LITERATURA INFANTOJUVENIL NO PARANÁ: ESTADO DA QUESTÃO

Alice Áurea Penteado Martha - UEM/FA - Autor Principal
apmartha@uol.com.br

Esta comunicação insere-se em projeto mais amplo, Portal da Literatura Paranaense: formação e consolidação de um campo literário, financiado pela Fundação Araucária/FA, que tem como objetivo levantar e analisar momentos da formação e da consolidação do campo literário no Paraná (1850 – 2010), com o intuito de contribuir para a compreensão do processo de escrita da história da literatura no Estado, no que se refere à produção de gêneros literários, dramático, narrativo e lírico, bem como propiciar a interrelação com o sistema cultural brasileiro, de modo a fomentar a divulgação da cultura paranaense em outras regiões do país. A partir da discussão das características do que Bourdieu (1996) denomina campo literário, como espaço no qual se localizam grupos de literatos - romancistas, contistas, poetas, dramaturgos, que mantêm relações entre si e com o campo de poder -, pretendemos refletir sobre o papel da produção infantojuvenil de escritores paranaenses contemporâneos como Paulo Leminski, Domingos Pellegrini, Miguel Sanches Neto e Maria Paula Roncáglia, na formação do subsistema, enfatizando a capacidade que esses autores demonstram de interagir com o sistema literário brasileiro, em um processo de assimilação e difusão cultural.

Palavras-Chave: Literatura infantojuvenil; Escritores paranaenses; Estado da questão.


A REPRESETAÇÃO DA ALTERIDADE NO DIÁLOGO TRANSCULTURAL DAS NARRATIVAS DE GUIMARÃES ROSA E DE MIA COUTO

Alice de Fátima Nogueira de Moura - FEAPA - Autor Principal
zyngga@gmail.com

Karla Alessandra Nobre Lucas - UFPA

Este estudo propõe um diálogo entre as narrativas de João Guimarães Rosa (“Páramo”) e de Mia Couto (“O adivinhador das mortes”) que integram, respectivamente, os livros Estas estórias (1969) e Estórias abensonhadas (1996) através da aproximação dos estudos estético-recepcionais aos comparatistas. A novela rosiana (“Páramo”) encerra em si uma simbologia que aponta para a labiríntica viagem/travessia, de que nos fala Nunes (2009, p. 168), de um “homem cadáver atormentado por um destino indefinitivo que implica alternância entre o narrar, orientado por um pendor reflexivo, e os desdobramentos do Leitmotiv da morte na cisão do ser. O conto (“O adivinhador das mortes”) do moçambicano Mia Couto discorre acerca do processo de tomada de consciência do sujeito e da experimentação da morte que transforma sua existência íntima. Nessa perspectiva, Berr (1954, p. 68) apud Moreira (2012, p. 69) afirma que “Tanto nas suas migrações coletivas como nos seus deslocamentos individuais, os homens levam consigo suas paisagens interiores”; e se o elemento paisagístico extrínseco é marcado pelo desconhecido, pelo indefinido, pela sugestão na dialética entre morte e vida, o sujeito será naturalmente encaminhado a um processo reflexivo que nos permite pensar a alteridade a partir das questões de identidade e do elemento político, enquanto consequência do contato entre autores, obras e culturas. E também, conforme expresso nos termos de Jauss (1983, p. 312), enquanto verdadeira cadeia dialógica que integra, no eixo dos estudos estético-recepcionais, a experiência pessoal do leitor ao complexo de experiências mediadas pelo objeto, com base não na anulação do passado, mas em sua alteridade para com o presente, que o reinventa e possibilita a reconstrução do horizonte, ou o limite de possibilidades de experiência estética.

Palavras-Chave: Alteridade; Guimarães Rosa; Mia Couto.


DEL MITO EN UNA DESCUBIERTA QUE NO HUBO

Aline Coelho da Silva - UFPEL - Autor Principal
silva.aline.coelho@gmail.com

Das cartas e relatos de Colombo a todos os chamados cronistas das Índias Ocidentais temos narrativas da busca do suposto paraíso encontrado por estas terras. O édem prometido pelas escrituras é encontrado nas diversas manifestações culturais dos autóctones que vislumbraram os europeus: corpos nus, natureza exuberante e, principalmente, a diferença não prevista. Na inocência deflagrada pelas crenças medievais daqueles renascentistas aventureiros acaba por dar-se a descoberta da América Latina e o desvendar dos mitos de sua invasão, quando hispânicos inscreveram nossa história em um enunciado recoberto de ideais, poder e ganância. Neste contexto encontramos a trajetória de Pedro Ursúa que Willian Ospina transforma em ficção nessas Índias “onde só o inesperado ocorre” e onde a trilha do tesouro parece ter sido encontrada, recriando fatos e feitos, entrecruzando personagens que, quiçá, não se tenham encontrado na História, mas que compartilham de um espaço-tempo mágico trazido por “Ursúa”, romance de 2005 que busca dar conta de narrar todos os desencontros em torno do El dorado universo das Américas e, principalmente, da América Amazônica. São estas as vias apresentadas para o leitor, a histórica e a mitológica, para que se constitua a descoberta de nossa “real” geografia.

Palavras-Chave: Ursúa; Ospina; Américas.


REFLEXÕES CRÍTICAS ACERCA DO ENSINO DE LITERATURA EM SALA DE AULA

Aline Cristina Garcia - UFMS - Autor Principal
alinegarcia_5@hotmail.com

O ensino da Literatura está tangenciado por uma crise, a qual é ocasionada de um lado por estratégias de ensino inadequadas e, de outro, pelo advento da cultura de massas e seus pseudo (ou não) benefícios. Diante dessa constatação, buscamos a compreensão da crise da Literatura nessa nova era - no mundo globalizado e digital. E, no início desse percurso, ressaltamos que toda crise aponta para dois caminhos: um é do perigo e o outro, o da oportunidade. Sendo assim, nesse artigo, procuramos pontuar os perigos e as oportunidades, para o ensino da arte literária, que esse novo tempo, conduzido pela globalização, pelas evoluções tecnológicas e pelas mudanças sociais e comportamentais, gera. Enfocaremos a importância da assunção da Literatura enquanto objeto estético e não como objeto histórico ou moral, pois é importante pontuar que o texto literário dialoga e poetiza a história social, mas nunca a reproduz fielmente. Sendo assim, é preciso promover o ensino da Literatura focalizando-a enquanto produção estética, e não enquanto retratos históricos articulados por uma linguagem bem elaborada; e, ainda evidenciar que sua função é promover, antes da formação moral, a experiência estética. Além disso, refletiremos como a literatura dialoga com outras linguagens, mas não pode ser substituída por elas. Finalmente, o texto se volta para uma reflexão sobre a relação entre a Literatura e a escola, seus problemas e suas soluções.

Palavras-Chave: Realidade Educacional; Magia literária; Sala de aula.


ENSINO DE LITERATURA INGLESA: CONTRIBUIÇÕES PARA CURSOS DE LICENCIATURA EM LETRAS INGLÊS NO BRASIL

Aline de Mello Sanfelici - UFPA - Autor Principal
alinesanfelici@yahoo.com

No Brasil, observa-se que os cursos de licenciatura em Letras Inglês preocupam-se, primordialmente, em formar futuros professores do idioma por si próprio. A concepção geral para este docente em formação não costuma proporcionar uma preparação aprofundada e específica para o ensino da literatura inglesa, ao passo que diversas disciplinas costumam ser ministradas a respeito de como ensinar o idioma em si – a título de exemplo, citamos disciplinas como “Metodologia do ensino de inglês”, “Linguística aplicada ao ensino de inglês”, “Tecnologias no ensino/aprendizagem de línguas estrangeiras”, e “Metodologias de pesquisa em línguas estrangeiras”. Uma vez que a literatura, como a língua, é também uma esfera da linguagem, este estudo parte do pressuposto que os cursos de licenciatura em Letras Inglês devem, por sua própria concepção, preparar seus graduandos para o ensino da literatura estrangeira. Em face desta necessidade, esta apresentação propõe contribuições acerca de como ensinar literatura inglesa para alunos brasileiros, especificamente no contexto de aulas de língua inglesa, ou seja, através de uma união produtiva entre língua e literatura estrangeiras em uma mesma sala de aula. Para tanto, apresentaremos metodologias variadas para ensinar literatura inglesa através de diálogos com músicas, cinema, blogs e outros meios, tendo como referencial teórico Kramsch (2009), Showalter (2003), Wielewicki (2009) e Mota (2010), dentre outros.

Palavras-Chave: Literatura inglesa; Ensino; Licenciatura em Letras.


A “QUITANDA” DO MEIO-DIA NA TV: NOTÍCIA E ESPETÁCULO NA DISPUTA PELO MERCADO TELEVISIVO DE BELÉM

Alinne Kellen Passos do Nascimento - Autor Principal
apassospa@gmail.com

Orientadora: Profa. Dra. Maria Ataide Malcher - UFPA

O objetivo deste trabalho é analisar o formato de telejornal colocado em prática pelas principais emissoras da TV aberta comercial de Belém, exibido na faixa horária do meio-dia. Buscamos compreender, dentro do conceito de espetáculo e mercado, a luta competitiva travada entre as emissoras de televisão partindo da análise de elementos como a herança do grotesco, a ausência da bancada, o apresentador-radialista e da exibição do merchandising que conferem a visualidade necessária para o reconhecimento da natureza espetacular na programação.

Palavras-Chave: TV aberta comercial; Espetáculo; Mercado televisivo de Belém.


A INSERÇÃO DA ESCRITA PÓS-COLONIAL NA PRODUÇÃO LITERÁRIA DE DALCÍDIO JURANDIR

Almir Pantoja Rodrigues - UFPA - Autor Principal
almirlit@yahoo.com.br

A tentativa de compreender os problemas sociais postos pela colonização europeia e suas consequênicias resultaram no aparecimento dos Estudos Pós-Coloniais. Na perspectiva da descentralização, o Pós-Colonialismo “coloca alternativas epistemológicas centralizadas em três blocos de questões que são: a crítica ao modernismo como teologia da história, busca de um lugar de enunciação híbrido pós-colonial e crítica à concepção de sujeito das Ciências Sociais” (COSTA, 2009, p. 118). Vale mencionar que o Orientalismo de Edward Saide (1978) ajudou estabelecer o campo da Teoria Pós-Colonial ao examinar a construção do outro oriental pelos discursos europeus do conhecimento. A partir desse momento, a escrita Pós-Colonial transformou-se numa tentativa de intervir na construção da cultura e do conhecimento e para os intelectuais que vêm de sociedades pós-coloniais, de escrever seu caminho de volta numa história que anteriormente fora escrita pelos de fora. É esse contexto que estamos transpondo para a Amazônia e situando Dalcídio Jurandir como uma voz que entre a sua “gente miúda” procura denunciar as malezas sociais do Marajó, do interior da Pará e da periferia de Belém, pois sabemos que a produção literária de Dalcidiana apresenta resquícios da crise social e política provocada. Afinal, o escritor recorreu à estética literária como campo de luta, para expressar a sua indignação social e incorporar nas páginas ficcionais brasileiras o humano amazônico. Dessa forma, podemos estabelecer relações comparativas entre Dalcídio Jurandir e o pensamento Pós-Colonial, pois da mesma maneira que essa teoria procura desconstruir os essencialismos, referência epistemológica, criticar as concepções dominantes de modernidade, o escritor desconstrói os paradigmas estabelecidos por uma elite dominante que controlou o sistema social amazônico do século XX. Assim, a proposta desta comunicação objetiva mostrar que Dalcídio Jurandir tornou-se uma forte voz na literatura aos moldes dos estudos Pós-Colonial e tem contribuído com estudos acadêmicos em diferentes áreas do conhecimento.

Palavras-Chave: Dalcídio Jurandir; Literatura; Pós-Colonialismo.


14O CONCEITO DE DECADENTISMO-SIMBOLISMO ENTRE OS CRÍTICOS DE CRUZ E SOUSA (1893)

Alvaro Santos Simões Junior - UNESP - Autor Principal
simoes@femanet.com.br

No ano de 1893, quando Cruz e Sousa publicou suas primeiras obras simbolistas, Missal e Broquéis, críticos literários, jornalistas e colaboradores da imprensa carioca julgaram essas obras à luz do conhecimento que tinham do movimento decadentista-simbolista português. Desde a publicação de Oaristos, de Eugénio de Castro, em 1890, a imprensa portuguesa debatera intensamente a literatura dos novos, discípulos de Baudelaire, Verlaine e Mallarmé, entre outros mestres muito festejados além-mar. Análise de textos de jornais e revistas cariocas revela, da parte dos críticos de Cruz e Sousa, conhecimento das propostas dos jovens poetas e prosadores portugueses. O mais importante, no entanto, a demonstrar é que Missal e Broquéis foram bem ou mal avaliados à medida que neles se reconhecia ou não dívidas com os “nefelibatas” portugueses. Considera-se de algum interesse esse capítulo das relações culturais luso-brasileiras.

Palavras-Chave: Cruz e Sousa; Decadentismo; Simbolismo.


SÉCULO XIX, TRADUZIR PARA EDUCAR: AS PRIMEIRAS TRADUÇÕES BRASILEIRAS DAS FÁBULAS DE LA FONTAINE

Ana Cristina Bezerril Cardoso - UFSC - Autor Principal
anacristinaufpb@gmail.com

Orientadora: Profa. Dra. Claudia Borges de Faveri - UFSC

Há no Brasil uma tradição clássica de tradução que começou no século XIX. As primeiras traduções brasileiras das fábulas do autor francês Jean de La Fontaine datam justamente dessa época. Pesquisar sobre tradução é ao mesmo tempo conhecer história literária e fazer história da tradução, desvendando o texto traduzido, revelando o tradutor e observando as possíveis influências dessas traduções na cultura de chegada. No livro A prova do estrangeiro (2002: 14) Antoine Berman afirma que “Fazer a história da tradução é redescobrir pacientemente essa rede cultural infinitamente complexa e desconcertante na qual, em cada época, ou em espaços diferentes, ela se vê presa. E fazer do saber histórico assim obtido uma abertura de nosso presente” (grifo do autor). Visamos neste trabalho apresentar os primeiros tradutores de La Fontaine no Brasil, assim como mostrar e analisar o(s) objetivo(s) com os quais essas traduções foram realizadas. Por que e para quem traduzir as fábulas lafontainianas? Quem são os seus tradutores? Quais são e de quando são essas traduções? Quais as editoras que publicavam as traduções das fábulas?

Palavras-Chave: La Fontaine; História da tradução; Século XIX.


O SALTO DA ÍNDIA: FIGURAÇÕES DO/DA ÍNDIA NA LITERATURA E CULTURA BRASILEIRAS

Ana Cristina de Rezende Chiara - UERJ - Autor Principal
chiara@centroin.com.br

A partir do título “Esgotar a vida: o salto da índia”, tomado de empréstimo ao livro de André Lepecki “Agotar La danza: performance y política del movimiento”, examino a performance O Confete da índia , de Andre Masseno, em suas variáveis figurações do corpo da índia/índio, do corpo da negra/negro, como metonímias “presentificadas” da cultura brasileira, em termos da assimilação, tensão ou confronto, levando em conta o idealismo da tradição identitária nacional, de modo aberto e exposto à dúvida. Desse corpo, tomado como experiência de leitura explosiva, disseminadora e/ou implosiva da cultura brasileira, examino as possibilidades de associar vida, literatura e performance, em movimentos de abalo, de lembrança e esquecimento, de gasto e de perdas, de reprodução e desaparecimento. Estas imagens de corpos atravessam, oferecendo resistência, o contínuo cultural, e, a partir delas, penso o corpo da cultura e corpos na cultura num recorte temporal que se concentra no modernismo/e no chamado pós-modernismo.

Palavras-Chave: Corpo; Indígena; Performance.


A CIRCULAÇÃO DA LITERATURA PORTUGUESA NO RIO DE JANEIRO OITOCENTISTA: UM ESTUDO DAS REVISTAS CORREIO DAS MODAS (1839-1840) E NOVO CORREIO DE MODAS (1852-1854)

Ana Laura Donegá - UNICAMP - Autor Principal
lauradonega@gmail.com

Orientadora: Profa. Dra. Márcia Azevedo de Abreu - UNICAMP

Ao longo de todo o século XIX, a apropriação de textos estrangeiros foi uma prática constante na imprensa nacional. Nesse período, publicações vindas de outros países alimentavam os periódicos brasileiros com artigos, notícias, resenhas e textos de natureza variada. A situação se acentuou a partir do final da década de 1830 devido à explosão do romance-folhetim no mundo ocidental. Atendendo à demanda da época, diferentes jornais e revistas passaram a reservar espaço para narrativas ficcionais seriadas, cuja origem, na maioria das vezes, era estrangeira. Tal processo foi facilitado devido à ausência de direitos autorais, o que permitia o livre reaproveitamento de textos europeus do lado de cá do Atlântico. Grande parte desses escritos proveio da antiga metrópole portuguesa com quem o Brasil mantinha fortes relações. Portugal oferecia uma vantagem a mais em relação a outros países estrangeiros, pois a cópia de matérias vindas de terras lusas eliminava os gastos decorrentes com a tradução. A presente comunicação tem o objetivo de analisar parte da presença da literatura lusitana no Rio de Janeiro do século XIX. Para tanto, busca reconstituir a origem das narrativas ficcionais publicadas por duas revistas femininas desse período: o Correio das Modas (1839-1840) e o Novo Correio de Modas (1852-1854). De ampla temática, ambas veicularam matérias sobre diversos assuntos, desde moda e charadas, a novelas e poesias. Houve um nítido destaque a artigos sobre indumentária e textos literários, assuntos que receberam atenção especial por parte dos redatores. Ao menos 19 narrativas importadas de Portugal foram reproduzidas nas páginas das publicações, sendo a maioria proveniente da imprensa periódica – como, por exemplo, do lisbonense O Beija-flor – e uma pequena parte, de livros mais ou menos recentes – como da coletânea Lendas e Narrativas, de Alexandre Herculano, cuja primeira edição data de 1851.

Palavras-Chave: Literatura portuguesa; Imprensa periódica; Século XIX.


NO MUNDO INSÓLITO DO MENINO ARTEIRO

André Teixeira Cordeiro - UFT - Autor Principal
andrecordeiro@zipmail.com.br

Estudo da obra “O menino arteiro”, de Gil Veloso, na qual o autor propõe um muito bem humorado diálogo com a obra do artista plástico Guto Lacaz. O escritor brinca com a proposta de uma pseudo-biografia de Lacaz e conta a história de um garoto extremamente criativo que ousa romper com vários padrões visuais da sociedade. Rosas de arame farpado e muitos outros inventos são elaborados pelo personagem. A proposta é reunir coisas díspares e encontrar uma terceira coisa, o inusitado – tal qual o encontro, de um guarda-chuva com uma máquina de costura sobre uma mesa de dissecação, proposto pelo Conde de Lautréamont. No entanto, Veloso não faz descrições da obra do artista, ele compreende o seu mecanismo de criação (baseado na colagem surrealista, nos princípios dadaístas e na pop-arte) e inventa novas obras de arte que passam a existir apenas no campo da ficção. A ecfrase, como em algumas passagens de “Em busca do tempo perdido” do escritor Marcel Proust, será o momento da descrição de obras que nunca existiram. Literatura e artes visuais unem-se num processo de intensa criatividade e terminam por nos ajudar a compreender um pouco da ordem oculta da arte e também do próprio universo das crianças - o aparente caos transforma-se em arte aos olhos do leitor.

Palavras-Chave: Colagem; Ordem oculta; Caos.


A TRANSFIGURAÇÃO POÉTICA DO CORPO NA LINHA D'ÁGUA, DE OLGA SAVARY

Andréa Jamilly Rodrigues Leitão - UFPA - Autor Principal
andreajamilly@gmail.com

Orientador: Prof. Dr. Antônio Máximo Ferraz - UFPA

O presente trabalho intenta perquirir a transfiguração poética do corpo à luz do elemento da água nos poemas “Signo” e “Só na Poesia?” da obra Linha-d’Água (1987), de Olga Savary. A saber, interpretar o modo pelo qual a dinâmica da água se manifesta na escritura dos poemas, sobretudo em relação à recriação dos corpos sob o vigor da união erótica, no sentido de conjugar e integrar o ser humano ao domínio da natureza, como uma possibilidade de reconciliação (PAZ, 1994). O movimento das águas transmuta-se no envolvimento sinuoso dos corpos, levando à plenitude a comunhão amorosa, e, por outro lado, eclode fecundamente na própria construção da poesia. Em diálogo com a hermenêutica de Paul Ricoeur (1990), toda obra de arte opera a proposição de mundo, revelado diante do texto, no próprio tecer da linguagem. Há a projeção de novas dimensões e possibilidades de realização do ser-no-mundo, as quais instauram, ao mesmo tempo, novos sentidos à dinâmica da existência do homem. Sendo assim, Linha d’Água manifesta, por meio das construções metafóricas de seus poemas, uma nova experiência do homem com o mundo. Pois, ao transfigurar o corpo dos amantes sob a fluidez do signo das águas, a poesia de Olga Savary encena a possibilidade de recuperação do vínculo originário entre o ser humano e a natureza.

Palavras-Chave: Corpo; Água; Transfiguração poética.


A PRÁTICA DA LEITURA EM SALA DE AULA

Andréa Tôrres Vilar de Farias - UFPB - Autor Principal
andreatvilar@gmail.com

Angélica Torres Vilar de Farias - UFPB
angelvilar10@gmail.com

Esse trabalho objetiva analisar o grau de envolvimento aluno/leitura, a relação leitor com o texto em sala de aula. Como eles recebem a leitura. A partir de dados que fazem parte de um corpus mais amplo referente à leitura em turmas de alfabetização. Especificamente, pretendemos, a partir do recorte estabelecido com base na gravação de aulas, discutir a concepção de leitura trabalhada em turmas de alfabetização, analisar o momento direcionado a leitura e traçar um campo de referência em relação ao objeto da leitura – aquilo que os alunos leem –, seus diferentes objetivos e como leem, (a performance no momento da leitura). Nesse sentido, podemos verificar que, ao identificar o que se ler, também será apontado não apenas as preferências de leitura, mas também para que leem. Nosso estudo será ancorado nos estudos de: CERTEAU (1994); CHARTIER (2001/2003); KLEIMAN (2002); MANGUEL (1977); ZUMTHOR (1993/1997).

Palavras-Chave: Aula de Leitura; Objetivos de Leitura; Prática Pedagógica.


LEITURA LITERÁRIA: SABORES E DESSABORES

Andréia de Oliveira Alencar Iguma - CUGD - Autor Principal
dheia_oliveira@hotmail.com

Orientadora: Profa. Dra. Célia Regina Delácio Fenrnandes - UFGD

O presente trabalho tem como objetivo observar algumas representações de leituras litetrárias que povoam as narrativas juvenis brasileiras, com o propósito de travar um diálogo entre o mundo real e ficcional, tendo como base o que alguns programas governamentais entendem como tal prática. Para isso, foi feito um levantamento de obras compradas pelo Programa Nacional Biblioteca da Escola - PNBE/2009, por ser o maior programa que abastece as prateleiras das bibliotecas escolares públicas na atualidade e compreendermos a seriedade do mesmo. Diante disso, avançamos no sentido que o exercício da leitura literária acaba por cair em um "senso comum" apregoando-a como prazer absoluto, diferente da nossa compreensão que percebe os sabores e dessabores nesse processo, uma vez que a literatura agride o leitor antes de transformá-lo.

Palavras-Chave: Literatura Infantojuvenil; Leitura Literária; PNBE.


QUE DIZEM POETAS CONTEMPORANEÍSSIMAS?

Anélia Montechiari Pietrani - UFRJ - Autor Principal
aneliapietrani@letras.ufrj.br

Representativas da produção poética de autoria feminina no Brasil do século XXI, Ana Martins Marques e Angélica Freitas são bons exemplos para melhor se compreender a novíssima poesia brasileira e as problemáticas em torno das questões de gênero na atualidade brasileira. Na obra da poeta mineira Ana Martins Marques, nascida em 1977, a sensibilidade feminina e a disciplina estética são marcas significativas. Dessa poeta, analisaremos a sequência de seis poemas intitulados “Penélope”, do livro A vida submarina (2009), e a sequência “Interiores”, de Da arte das armadilhas (2011). A gaúcha Angélica Freitas, nascida em 1973, publicou até o momento dois livros de poemas: Rilke Shake (2007) e Um útero é do tamanho de um punho (2012), este considerado pelo O Globo, em reportagem de 28.12.2012, um dos mais importantes livros de literatura publicados no ano. Em um tom melancólico e cômico, os poemas desse seu último livro representam uma reflexão sobre o que se tornou hoje e agora o sentido do e sobre o feminino. Desse livro, analisaremos a sequência de poemas “Uma mulher limpa”, “Mulher de” e “A mulher é uma construção”.

Palavras-Chave: Poesia; Autoria feminina; Problemas de gênero.


ALUÍSIO AZEVEDO: O TRABALHO LITERÁRIO-FOLHETINESCO COMO ESTRATÉGIA DE SOBREVIVÊNCIA E POLÍTICA ILUSTRADA

Angela Maria Rubel Fanini - UTFPR - Autor Principal
rubel@utfpr.edu.br

Orientador: Prof. Dr. João Hernesto Weber - UFSC

Nesta comunicação apresenta-se o resultado de pesquisa junto aos romances-folhetinescos de Aluísio Azevedo (Condessa Vésper, Girândola de Amores, Filomena Borges, Mattos, Malta, Mata, A mortalha de Alzira e Livro de uma sogra), concluindo que a publicação dessas obras obedecia a, basicamente, dois propósitos. O escritor, por não ser funcionário público, precisava sobreviver materialmente de sua produção literária e, então, escrevia romances “industriais”, publicados em jornais da Corte, que agradavam ao público e assim podia se manter no Rio de Janeiro. Entretanto, afora essa direção material, essas publicações, em vários periódicos, também visavam a educar um público leitor pouco afeito a romances de análise cuja linguagem se vinculasse a um ideário real-naturalista. Essa dupla orientação das obras em tela é, inclusive, informada pelo próprio escritor em prefácio a um dos romances mencionados, ou seja, o literato tinha consciência de que sua linguagem, nas obras mencionadas, era de caráter híbrido entre o real-naturalista e o folhetinesco. O veículo impresso dava-lhe notoriedade visto que primeiramente os romances se publicavam em forma de folhetim e, posteriormente em forma de livro, funcionando como uma maneira de comprovar sua aceitação. A crítica, majoritariamente, desvaloriza esses romances, considerando-os subliteratura. Entretanto, a leitura apurado dos mesmos, levou-nos a perceber que neles há a concretização de um projeto ilustrado-pedagógico do escritor que objetivava inserir passagens de romance de análise dentro dos romances-folhetins a fim de ilustrar o leitor aos poucos devido ao fraco contexto de leitura da época.

Palavras-Chave: Romance-folhetim brasileiro; Trabalho do escritor; Aluisio Azevedo.


O DEUS ANTITÉTICO DE HILDA HILST: UMA LEITURA DE "ESTAR SENDO. TER SIDO"

Anna Giovanna Rocha Bezerra - UEPB - Autor Principal
annagiovanna@gmail.com

Orientador: Prof. Dr. Antonio Carlos Melo Magalhães - UEPB

A escritora brasileira Hilda Hilst dedicou praticamente toda sua vida ao fazer literário. Manipulando uma dicção polifônica e eivando seus textos de diversificados entrelaços tipologicos, como a poesia, a novela, o conto, o romance e o teatro, a autora buscou, em sua obra, traçar um perfil da figura do sagrado. Deus, para Hilst, foi tema recorrente e constante. Em seu último livro "Estar sendo. Ter sido", publicado em 1999, a autora revisita praticamente todos os seus trabalhos anteriores e a isso, acrescenta o tópico da morte, que na citada obra, desponta como o maior inimigo do homem e, consequentemente, opositora de Deus. Dessa maneira, neste artigo, pretendemos construir uma análise que contemple o duelo humano mais significativo: A vida e a morte, que também pode ser traduzido como a luta entre o bem e o mal. Nosso principal aporte teórico é Dominique Maingueneau, no livro "O contexto da obra literária", perspectiva que analisa o texto literário a partir de suas condições de produção. Também utilizaremos DELUMEAU, SARTRE, entre outros.

Palavras-Chave: Hilda Hilst; Sagrado; Mal.


"O SENHOR DA LUZ": A LIBERTAÇÃO DECORRENTE DO CONHECIMENTO

Antônio Adailton Silva - UFT - Autor Principal
adayltons@hotmail.com

O objetivo do artigo é apresentar uma interpretação de uma obra da banda inglesa Iron Maiden, cujo título é “Lord of light”. A tradução literal de “Lord of light” é “O Senhor da Luz”. E “Senhor da Luz” guarda o sentido atribuído a Lúcifer, palavra derivada do Latim (Lux=luz; ferre=carregar); portanto, aquele que carrega a luz, ou simplesmente “portador da luz”. Aparentemente, trata-se do discurso de um eu-lírico refletindo sobre as relações entre a humanidade e seus atos receosos ou destrutivos, devido a sua ignorância, permeada pela fé. Na obra analisada, interpreta-se a luz como aquilo que possibilita conhecer, sendo extensão de refletir, analisar. Assim, pode ser superada a condição de ignorância. Os homens, desse modo, podem buscar explicações não metafísicas para fenômenos diversos. Contudo, nas relações humanas de poder, há instâncias que fazem um esforço para se apropriar da primazia de dizer o que deve ou não ser estudado e conhecido pelos demais. Bastante metafórico, o texto dá indícios de que a criação de entes malignos sobrenaturais pode servir para justificar, ainda na atualidade, as maldades cometidas, tradição típica da religião cristã. Esse procedimento, de transferir a própria culpa para seres que estão além da capacidade dos sentidos humanos, e que dependem somente da fé, dá àqueles que cometem atos cruéis a tranquilidade de serem perdoados nos casos em que se arrependam. Lúcifer, na obra em estudo, ao invés de ser entendido como um ser que deve ser evitado por ter se desviado do caminho, ao contrário, simboliza o guia humano capaz de lançar luzes sobre os diferentes objetos do mundo. Ele ilumina e permite ver o proibido e o escondido, dando poder ao homem através do conhecimento, libertando-o da ignorância a que estaria submetido se não ousasse contra aqueles que se dizem representantes de Deus na terra.

Palavras-Chave: Lúcifer; Luz; Conhecimento.


ALBERTO CAEIRO, O MESTRE DA APRENDIZAGEM DE DESAPRENDER

Antônio Máximo Ferraz - UFPA - Autor Principal
maximoferraz@gmail.com

Em meio à profusão de personagens da obra de Fernando Pessoa, Alberto Caeiro ocupa um lugar todo especial. Não à toa, três deles o proclamam mestre: Ricardo Reis, Álvaro de Campos e, paradoxalmente, o próprio Fernando Pessoa. Por que Caeiro é assim considerado? Como diz João Guimarães Rosa, “mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende”. Alberto Caeiro é o mestre dos demais personagens não porque ensinou-lhes doutrinas a serem seguidas, teorias a serem aplicadas, conceitos a serem introjetados e repetidos. Ao contrário, mostrou-lhes o fundo silencioso da realidade, o qual, uma vez percebido, exige que cada um faça pela existência não só a sua própria travessia, mas, antes de tudo, a sua travessia para o próprio. Alberto Caeiro testemunha-nos que procura se libertar dos conceitos prévios com que a realidade costuma ser percebida. Por isso, afirma que precisa atravessar o rio a nado, despir-se do que aprendeu, esquecer o modo de lembrar que lhe ensinaram e raspar a tinta com que lhe pintaram os sentidos. Mas isso exige, diz ele, “(tristes de nós que trazemos a alma vestida) / Isso exige um estudo profundo, / Uma aprendizagem de desaprender”. Na aventura de existir, cada um precisa fazer a aprendizagem de seu modo próprio e original de ser. E não será repetindo o já sabido que poderá se abrir para o que não sabe a respeito de si mesmo e manifestar suas potencialidades criativas. Alberto Caeiro é um educador, na medida em que convida os que com ele dialogam a percorrer, de modo próprio e original, o silêncio da realidade. Na comunicação proposta, exporemos as razões que levam os demais personagens a considerá-lo mestre, em sua poesia reconhecendo um projeto educacional libertário.

Palavras-Chave: Fernando Pessoa; Alberto Caeiro; Aprendizagem.


NAEL “CENTRO DE CONSCIÊNCIA” E “ESPELHO POLIDO”, A FIGURA DO NARRADOR DE “DOIS IRMÃOS”, DO MILTON HATOUM

Assunção de Maria Sousa e Silva - UESPI/UFPI - Autor Principal
asmaria1@hotmail.com

Nael é o fio condutor de uma narrativa memorialística cujo objetivo primordial talvez seja a busca do narrador pelo conhecimento de sua origem e de sua história. Todavia no intento de percorrer sua labiríntica busca, este personagem-narrador nos lega uma história de histórias construídas por uma junção de estratégias em que vigora o jogo edificador da experiência estética. Tais recursos resultam em um romance moderno, aglutinador de faces e interfaces discursivas intercaladas sob a tensão de vozes enunciativas que o margeiam. O romance Dois Irmãos, do escritor amazonense Milton Hatoum, reverbera a memória do passado, “fantasmas de retratos” que indiciam sentidos fortalecedores da subjetividade do personagem-narrador, mas também sentidos que redimensionam a realidade do contexto social e político amazonense. Para discorremos sobre essas configurações, embasaremo-nos nas considerações sobre o narrador, sobretudo na sua função e perspectiva narrativa, enquanto sujeito que aglutina um “conjunto de forças que se potencializam”, levando em conta as indicações de Booth, em Retórica da ficção, as reflexões de Theodor Adorno, contidas no ensaio “Posição do narrador no romance contemporâneo” e de Walter Benjamim, em “O narrador. Considerações sobre a obra de Nikolai Leskov” cujas abordagens elucidam aspectos que prevalecem no romance de Hatoum, como estratégias discursivas. Considera-se também oportuno o auxílio das contribuições sobre dialogismo e polifonia de Mikhail Bakhtin para pontuar a existência das vozes que constituem o tecido esgarçado da casa, onde seringueiras crescem e os homens diminuem.

Palavras-Chave: Narrador; Memória; Vozes; Romance.


BENJAMIN, O CARÁTER DESTRUTIVO NA PROCURA DE SI

Augusto Sarmento-Pantoja - UNICAMP - Autor Principal
augustos@ufpa.br

Orientador: Prof. Dr. Márcio Selligmann-Silva - UNICAMP

Este trabalho pretende analisar o caráter destrutivo, conceito desenvolvido por Walter Benjamin em Documentos de cultura, documentos de barbárie: escritos escolhidos, da personagem protagonista Benjamin em obras literárias e cinematográficas, serão analisados o romance Benjamin (1995), de Chico Buarque, o filme Benjamin lançado em 2004, dirigido por Monique Gardenberg; o conto O curioso caso de Benjamin Button publicado em 1922, de Francis Scott Fitzgerald e o filme homônimo lançado em 2006, dirigido por David Fincher; e o filme O Palhaço lançado em 2011, dirigido por Selton Mello. Nesse estudo analisaremos os protagonistas Benjamin em sua procura por uma identidade diante da ruína e da exceção que os cerca. O primeiro Benjamin constrói-se a partir da culpa do protagonista por causa um passado impotente e uma paixão destrutiva. O segundo protagonista apresenta no curioso caso o conflito sobre a procura de si ligada à inexorabilidade do tempo, debatendo o tempo como parte da destruição dos desejos e dos prazeres mais simples da natureza humana. O terceiro Benjamin do filme de Selton Mello o caráter destrutivo do homem está em sua imersão no interior do Brasil e no interior de sua identidade, ser palhaço significa mais do que trazer alegria, significaria sobreviver livre junto às prisões do sistema e do cenário árido de suas andanças.

Palavras-Chave: Caráter Destrutivo; Benjamin; Identidades.


IV CIELLA

Universidade Federal do Pará - UFPA
E-mail: ivciella@gmail.com
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(91)32017501